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terça-feira, 15 de junho de 2010

Acerca da anatomia do pensamento ou do que é estar feliz.

O pensamento está intimamente ligado ao estado emocional e sentimental do indivíduo.

Quando os mapas neurológicos que caracterizam um determinado estado mental proporcionam uma vivencia agradável e aprazível, as imagens que o pensamento ilustra, porque de imagem se tratam (já repararam neste interessante pormenor? O pensamento são imagens que se criam na mente fruto de estímulos cerebrais) são ricas, variadas, imaginativas e resolutivas nas mais variadas facetas que caracterizam uma agilidade mental proporcionada por um estado de espírito positivo.

Quando por outro lado, o nosso estado metal é mais doloroso e menos aprazível, o pensamento degenera em algo que se vira contra nós mesmos, tende a sugerir imagens repetitivas que de forma lenta e monocórdica se vão arrastando na mesma medida que a vida se vai diminuindo e apagando.

Independentemente das técnicas adoptadas por cada indivíduo que a elas se socorre para assim activar a sua vontade de viver, sejam elas baseadas na filosofia, na psicologia, na crença, na religião, em dogmas, nas drogas ou na medicina, na política, na pátria, ou no clube do seu coração, pressupõem desde logo um estado mental doente, no sentido de se encontrar em contra-mão com a vida.

Assim, a felicidade, ou seja, um estado mental sadio, é impossível de ser experimentada enquanto o indivíduo encara a vida como algo que contra ele conspira, enquanto observa essa mesma vida como aquilo que durante séculos intermináveis foi sugerido, imposto ou educado, com sendo um local de castigo, de provas e de expiações e que nada mais lhe resta do que a suportar da melhor forma possível, arrastando o seu desprezado e valioso corpo humano até à morte inglória, na esperança que essa atitude mórbida e inútil possa ser a chave para ser feliz num além que parece ser , ou que se ouve dizer, o lugar da descanso e da paz para aqueles que acusam a vida substantivando-a de algoz.

Assim, mais importante do que saber se o pensamento cria ou não formas vivas adoptando uma perspectiva de quem já se treina para estar morto, quando paradoxalmente esse mesmo pensamento não é de forma alguma uma causa mas sim a consequência da representação do corpo no cérebro que por sua vez se constitui como quadro de referencia indispensável para o desencadear dos processos neurais que designamos como mente.

O nosso próprio organismo é utilizado como referência para a interpretação do mundo que por sua vez identifica o carácter de uma personalidade que é a identidade responsável pela subjectividade do mundo mental que criamos. Os nossos pensamentos partem do nosso próprio corpo e consoante aquilo que esse mesmo corpo, ou seja consoante aquilo que a própria vida significa para cada um, assim serão determinadas as imagens que se criam no acto do pensamento, imagens de alegria e de felicidade ou de tristeza e mágoa, imagens lúcidas e rápidas ou baças escuras e lentas, imagens que resolvem a vida ou imagem que a tentam assassinar.

sábado, 5 de junho de 2010

As coisas em si mesmo

As “coisas em si” apesar de serem observadas de forma diferente por cada um de nós, não deixam nunca de ser sempre a mesma “coisa”para elas próprias. Uma banana, a menos que seja comida (lol), é em si mesmo imune a qualquer tipo de julgamento que dela façam, detém uma identidade que em nada é alterada por tudo aquilo que a sensibilidade humana dela possa avaliar subjectivamente.

O ser humano, está de tal forma habituado a viver aprisionado universo mental que tem uma dificuldade extrema em abandonar aquilo que é o seu ponto de vista ou seja aquilo que é a realidade do seu mundo e desloca-lo para fora de si.

A dificuldade em aceitar as propriedades quânticas da matéria são um bom exemplo da perplexidade que causam as evidencias que quando se contradizem quando descritas dentro de um universo mental, os sentidos externos são neste caso negados por uma racionalidade cuja formula está completamente assente em princípios cuja experiencia nunca até aí negou.

Realmente nunca deveria estar em questão no debate filosófico aquilo que o “um” é mas sim aquilo que as coisas são.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O amor é aquilo que o amor é ou aquilo que o amor faz?

Eu vejo a vontade como sendo o princípio da escolha do comportamento. É através da vontade que escolhemos amar.

É a vontade que suporta o amor. O amor é um comportamento inteligente, um exemplo que determina um modelo de autoridade e liderança, que é sinónimo da identificação e satisfação das necessidades dos outros em prol de bem comum.

Diz Vince Lombardi que o sentimento de “gostar ou não de alguém” não é tido em conta no exercício do amor. O amor é lealdade, é o respeito pela dignidade e individualidade.

Julgo que quando Jesus aconselha a amar os inimigos, refere-se à acção e não ao sentimento. O amor é geralmente confundido com sentimentos positivos dedicados a alguém, seja em forma de forte afeição, ligação amigável ou sentimentos provenientes dos impulsos sexuais.

No entanto rata-se de uma acção inteligente, ou seja, uma acção que se eleva acima do universo mental e por isso se situa aquém e além da emoção que gera o sentimento.

Diz James C. Hunter que muito daquilo que é o novo testamento foi escrito em grego, que utiliza várias palavras para descrever vários significados de amor. “Eros” quando se refere ao amor baseado na atracção sexual e desejo ardente, “Storgé” quando se refere ao amor afectivo entre familiares, “Philo” que é fraternidade, ou amor recíproco onde a acção amorosa exige um pagamento levado a cabo na mesma moeda e finalmente “ Ágape” que descreve o amor incondicional, demonstrado em acções comportamentais para com os semelhantes sem que nada seja exigido em troca, uma escolha deliberada.

O amor que está escrito no novo testamento proferido pela boca de Jesus está denominado de “Ágape”.

O amor “ágape” não é aquilo que os sentimentos traduzem internamente mas sim aquilo que ele mesmo faz sob a forma de vontade, ou seja, sob a forma da acção inteligente. 

domingo, 16 de maio de 2010

Experiências Quase Morte

As EQM (Experiencias Quase Morte) são provavelmente uma forma da actividade mental que surge em circunstâncias biológicas específicas e anormais e que proporcionam um padrão de consciência descrito de forma análoga por múltiplos testemunhos.

São perfeitamente possíveis de serem explicadas como um efeito cuja causa é determinada por um determinado padrão cerebral que vai proporcionar o universo mental que lhe corresponde.

A morte por definição, é um processo irreversível e assim sendo, as EQM são do domínio da vida, ou seja, como estar quase morto não é estar morto estas fazem parte integrante da experiencia mental que a vida é, não parecendo pois passíveis de serem utilizadas como provas da imortalidade da alma.

sábado, 15 de maio de 2010

Neo-Religião

Remetendo para a vontade de conhecer de cada um dos leitores deste texto, vou atalhar caminho e afirmar que fruto dos estudos levados a cabo nos últimos anos, a neurobiologia está muito perto de concluir que o corpo humano possui em si mesmo todos os atributos (mesmo aqueles que foram durante anos considerados extra corporais ou atributos da alma) que constituem o ser, ou seja, esta assombrosa máquina da vida é una. Para além de potenciar emoções e sentimentos, também potencia a mente, a razão e a consciência de si.

Não adianta tentar negar uma realidade cada vez mais evidente. Parece ser muito mais produtivo e racional para quem estuda a alma, não voltar as costas ao saber que diz respeito aquilo que é a identidade desse próprio processo, ou seja, a vida e a forma como esta se manifesta.

Ao confundir o princípio inteligente individualizado com mente e consciência de si e ao conceder-lhe atributos que não são devidos, como são os casos da emoção e dos sentimentos, entramos num labirinto de equívocos e inverdades que são olhados e com motivo com uma descrença e indiferença crescentes.

Este tipo de atitude, que volta as costas ao exercício pleno das nossas capacidades enquanto Homens, preferindo a isso a crença em que cada um dos teólogos é um eleito a quem vai ser revelado o caminho da salvação, leva a religiosidade para as áreas do misticismo esotérico e não para o caminho da verdade.

O religioso deve ser um Homem da ciência da vida, um Homem que acredita que deve utilizar todas as infinitas potencialidades do seu corpo para evoluir em todos os sentidos do conhecimento e do saber, a começar por aquilo cujos atributos lhe são cognoscíveis para assim poder de uma forma competente especular e avaliar Deus, a liberdade e a imortalidade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O pensamento é irmão das orelhas

A vida dos seres unicelulares apresenta comportamentos que os diferenciam entre si consoante os estímulos que recebem do meio ambiente. Assim apesar da sua simplicidade aparente, são capazes de se tornarem únicos em termos de identidade consoante a forma como se comportam ao ponto de ser possível num determinado meio social identificar cada um destes seres pelo seu nome se proceder-mos a uma observação atenta e pormenorizada das suas actividades.

Claro que nenhum deles possui cérebro e muito menos mente, mas a interacção que existe com o meio ambiente repercute-se em termos de comportamento que identifica uma identidade própria que advém da simples capacidade de movimento que detêm.

No entanto, nos organismos dotados de cérebro, a maior parte das acções orgânicas ocorre sem que dependam da vontade dos mesmos. São acções desencadeadas de forma autónoma através de respostas que os neurónios desencadeiam consequentes de múltiplos tipos de estímulos.

Na medida que subimos no grau de complexidade do cérebro que caracterizam as várias espécies de vida, maior se vai tornando a complexidade da rede de informação constituída pelos neurónios, sem que tal signifique que tal condição implique como consequência a existência do fenómeno que denominamos mente.

A mente somente surge quando o cérebro passa a ter capacidade de conceber imagens cuja proveniência não advém dos seus sentidos externos mas sim de proveniência interna ou seja, quando o cérebro cria imagens que não advêm dos olhos, nem sons que advêm dos ouvidos, nem cheiros que advêm do olfacto mas sim daquilo que podemos designar pela sua capacidade de os criar subjectivamente através da imaginação.

A forma como estas imagens são concebidas e ordenadas não é mais do que o pensamento.

Assim, a capacidade de pensar não é nenhum atributo metafísico tal como era especulado no século XIX mas sim um sentido mais que o corpo humano possui através do qual, a inteligência pode experimentar e assim dar continuidade ao seu processo evolutivo.

Não é tão mais simples a vida quando compreendida através da razão? Assim como os raios da tempestade não é são fúria dos deuses, o nosso pensamento não é uma arma incontrolável e incognoscível nem com as propriedades ficcionistas com que infundadamente o descrevem.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Fora da caridade não há salvação

Fora da caridade não há salvação… mas caridade é esta que amedronta aqueles que não querem ser caridosos e que os obrigar a vergar em nome da afirmação de uma virtude que é impiedosa para com aqueles que não a possuem?

Porque motivo o Leão não pode ser caridoso para com a Gazela? Porque as leis da natureza não o permitem ser. Quantos de nós não serão “Leões” a morrer à fome pois são obrigados a ser caridosos com as “Gazelas”? Não será caridade deixar que o Leão se alimente e alimente os seus filhos? E a Gazela? A Gazela que fuja, já para isso corre muito mais que o Leão. Ou esperam dela que a caridade sinta dó do estômago vazio do Leão?

Acerca da inteligência moral

A organização social de hoje, reflecte a verdade acerca da condição da inteligência moral da humanidade. Quando as estruturas do poder repressivo se quebram, assiste-se à manifestação da animalidade que caracteriza o Homem. A sua natureza inteligente é inibida por ambientes mentais dominados por emoções.

A 2ª guerra mundial deixou a nu a natureza sádica e preserva que nos caracteriza. Milhões de pessoas foram assassinadas e outras tantas aplaudiram e converteram-se com uma facilidade espantosa a ideologias de terror para assim salvaguardar as suas redes de interesses instituídas.

A mesma pessoa que amavelmente nos informa acerca da localização de uma rua é capaz também de participar num extermínio em massa, se assim as circunstancias o dotarem de motivos, motivações, ou “justificações” para o fazer.

O Homem expressa a sua capacidade inteligente na ciência ou no conhecimento mas continua agarrado a uma identidade moral deplorável e camuflada por uma organização política inevitavelmente repressiva.

Por isto, a anarquia não pode ser instituída como fundamento para as liberdades individuais, legitimando a necessidade do castigo intimidatório. Temos aquilo que merecemos.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Acção vs. Reacção ou Uma visita a Nietzsche.

Enquanto interpretarmos a vontade de poder no sentido de “desejo de dominar”, fazemo-la forçosamente depender de valores estabelecidos, como os únicos capazes de determinar quem deve ser reconhecido como o mais poderoso neste ou naquele caso, neste ou naquele conflito, nesta ou naquela acção/reacção.

A vontade de poder, é o princípio de todas as avaliações, o principio escondido para a criação de novos valores não reconhecidos. A vontade de poder, diz Nietzsche, não consiste em cobiçar nem sequer tomar, mas em criar e em dar. Nela a afirmação está primeiro, nela a negação não passa de uma consequência, como um acréscimo de prazer.

A característica das forças reactivas, pelo contrário, está em opor-se ao que elas não são, em limitar o outro. Nelas a negação está primeiro, é pela negação que atingem uma aparência de afirmação.

É simplesmente isto que acontece na vida. Onde vive o ateu, o que não tem a coragem e a força para afirmar, o que não cria e nega o que é erguido por aqueles que podem. O triunfo dos escravos poderá ser esmagado pela implosão do eterno retorno?

Esta trincheira a que alguns chamam de forma ilegítima ateísmo é ilusória. Que importa se existe ou não Deus para aquele que age? Esta questão só importa a quem vive submetido ao medo da morte e a fuga para a caverna da negação é a solução possivel.

Uma visão fantasmagórica de um niilismo anacrónico, velho e demente que encontra o elixir da imortalidade nas mentes humanas dos fracos. Mas aquilo que negam não passa de um tosco holograma que gravita em torno da sua própria morte.

Criacionismo


O criacionismo cujo incremento rivaliza com a inquisição quanto aos seus criminosos propósitos, cujo deus é um delírio das mentes submissas e medrosas, aterrorizadas pela vida, castradas pelas noções que delimitaram e a mediram como de uma coisa se trate, com que Sócrates nos brindou através da filosofia do bem e do belo, cujas consequências foram para além daquilo que o corajoso ingestor de cicuta poderia prever.

No entanto, a inteligência que criou o universo, em nada tem a ver com esta miragem humana.

Essa inteligência obriga o leão a matar a gazela e está-se a marimbar para as consequências dos seus terramotos, que somente são terríveis quando observados através da mente humana, completamente submissa ao seu mundo, cujo império dos sentidos se transforma em emoções e sentimentos cujo poder é arrasador para o normal desenvolvimento da gestão inteligente daquilo que é a realidade da vida.

As emoções e sentimentos, inibem a expressão inteligente do indivíduo que assim se submete a um mundo mental determinado por crenças e dogmas que assimila como verdades irrevogáveis.
A inexistência de Deus é uma hipótese só que notoriamente insustentável se for tida em conta a observação empírica da vida.
Da mesma forma que o inteligência do Homem é facilmente identificável através dos efeitos que provoca na natureza, a inteligência de Deus também o é. As evidências que suportam esta hipótese são esmagadoras de tal forma que a preferência pelo enorme esforço criativo que justifique a sua inexistência é notoriamente um produto emocional de uma mente desequilibrada e por exemplo, revoltada.
Só assim é possível entender de que forma uma pedra lascada é aceite de forma indubitável como resultado da intervenção de um processo inteligente e o universo em nome da vontade de assassinar Deus é afirmado como fruto do acaso mesmo que para isso seja necessário conceder-lhe um número para lá do infinito de tentativas de sucesso que vai sendo multiplicado por n na medida que a ciência descobre a fórmula da sua concepção. Isto é completamente inaceitável e ridículo.
As estruturas microbiológicas apresentam uma complexidade não compatível com as simples explicações darwinista que criaram o deus “acaso”
A física, apresenta novos dados como sendo a necessária existência de matéria não bariônica que justifica o comportamento mecânico do universo e de energia não bariônica que justifica a sua expansão.
Revelou o comportamento quântico da matéria, que abre novos campos para o entendimento daquilo que é a sua realidade estrutural.
A neurobiologia explica de que forma o Homem tem consciência de si, capacidade racional, emotiva e sentimental, através de processos cerebrais, não encontrando qualquer tipo de justificação para a sua capacidade inteligente, sendo que esta não se encontra inscrita no DNA.
A questão é esta: É possível ainda assim afirmar que o acaso é o deus criador este tipo de estrutura organizacional?

Pistas acerca da natureza da lei divina


As formigas, são conhecidas pela extraordinária capacidade de trabalhar de forma organizada e colectiva, criando com incrível precisão um mundo social cuja complexidade ombreia com a humana.
Entre elas existem também aquelas que tentam fugir ao rebanho social, ou seja, tentar modificar a sua sina, tentam concretizar as suas vontades que se encontram para além daquilo que para elas está determinado.

Uma das características do formigueiro é que ao grupo das operárias está interdita a reprodução. Nasceram para servir a rainha e cuidar da sua descendência. Quando assim não é, quando uma delas tenta procriar é de imediato detectada e assassinada como castigo pelo pecado que comete.
Os seus carrascos não são as forças policiais que no país das formigas existem, são as suas próprias companheiras de infortúnio, aquelas que como não podem, não permitem que mais nenhuma possa e assim que a substancia química que é libertada quando a vontade de procriar existe, está dado o sinal que indica que Deus quer que seja feita a sua vontade: a morte imediata das prevaricadoras da sua lei.

O que é a inteligência ou então a natureza dos burros


O que resulta de mecanismos cerebrais é aquilo que denomino por raciocínio, ou razão, que é uma operação lógico-discursiva mental, de onde são retiradas as conclusões provenientes das premissas tidas em consideração.
A inteligência é a capacidade potencial para a utilização dos recursos mentais, ou seja, a causa que determina e caracteriza um efeito. E esta não se encontra em qualquer sistema cerebral.

Pode uma máquina ser dotada de capacidade racional que é delimitada por aquilo que a inteligência que a criou lhe conferiu, ou seja, a máquina poderá deter “recursos cerebrais”, mas não tem qualquer tipo de capacidade potencial para um desenvolvimento autónomo através desses recursos, ou seja não tem inteligência.
O produto da minha razão admite que do ponto de vista neurobiologico, está demonstrado que todas as emoções e sentimentos são resultado de mapas cerebrais e que estão identificados os locais do cérebro cuja actividade resulta nesse tipo de efeito.
Tudo aquilo que constitui a mente humana é um efeito resultante da actividade do cérebro, que pode inclusive ser manipulada através de impulsos externos provocados.
Vivenciar alegria ou tristeza, amor ou ódio, coragem ou medo é uma resultante daquilo que os mapas do cérebro determinam como consequência daquilo que os sentidos proporcionam à mente.

Da mesma forma, a vontade está contida neste tipo de processos causais, assim como a fé ou a ausência dela.
Para além disso, o cérebro é também ele o responsável por aquilo que é designado por razão, ou capacidade racional. Se algumas das suas estruturas forem anuladas, essa capacidade humana deixa de estar disponível.
O mesmo se passa com a consciência de si. Para ser consciente, para reconhecer a sua existência, o Homem está dependente de funcionalidades cerebrais.
Assim, está inscrito no DNA de cada Homem, aquilo que a sua realidade mental é, ou então aquilo que vai ser um dia.

No entanto, resta a inteligência ou a capacidade inteligente do Homem, ou seja, a competência que este tem para gerir tudo aquilo que a mente lhe proporcionara como sendo a sua realidade de vida.
É este atributo que não se encontra no DNA, nem está determinado por qualquer tipo de mapa cerebral, ou seja, é um atributo que está para além daquilo que o Homem é enquanto ser animal.
Essa capacidade inteligente está presente em tudo aquilo que é a matéria. O resultado da actividade biológica levada a cabo pelos microrganismos que constituem os corpos vivos, apesar de não terem cérebro, tem capacidade inteligente, demonstrada através do resultado preciso e acertado das acções que levam a cabo e que determinam a sua função.
A matéria, do ponto de vista da física, resolve de forma inteligente aquilo que é necessário para que esteja assegurada a sua integridade funcional.
Esta linha de defesa de tese, suporta então a evidência de que o atributo inteligência não é de natureza animal, é indispensável para que os processos de causalidade cumpram os objectivos a que estão determinados e assim, necessariamente um atributo partilhado por tudo aquilo que constitui o universo.

Porta-te bem e sê bonzinho ou levas nas trombas


Não está demonstrado de forma alguma, ou seja, nem através de conhecimentos empíricos nem filosóficos, que o bem ou o mal corresponde aquilo que é reconhecido como tal quer individual quer colectivamente.
Nietzsche aponta Sócrates como o “pai” do “Bem”, do “Bom”, do “Belo” e consequentemente acusa o filósofo de ser o responsável pela morte do coro trágico grego da submissão do espírito de Dionísio ao de Apolo, ou seja, a submissão da liberdade de acção à castração das vontades em nome do “Bem”, do “Bom”, do “Belo”.

No entanto nem Sócrates nem Nietzsche são suficientemente competentes para demonstrar de forma inequívoca a sua “Verdade Universal” pois esta pura e simplesmente é impossível de ser demonstrada. A metafísica tem do ponto de vista do Homem um objecto impossível de atingir, que cada vez mais dele se afasta na proporção directa da evolução do seu “saber”.
Para ser possível ir além das palavras, e experimentar aquilo que é a convivência com os pensamentos salutares, será imprescindível que a vontade de cada um possa ter condições de ser expressa de forma livre.
Essa vontade advém daquilo que caracteriza a individualidade de cada ser, que deveria ter a possibilidade de livremente experimentar a vida em conformidade com aquilo que ele é.

As formulas educacionais que a sociedade detém, são aquelas resultantes das tabelas de valores suportadas numa noção de virtude completamente imposta pelos padrões de um devir castrante e mutilante para a vida, fruto da imposição da vontade daqueles que detiveram o poder de construir a vida à imagem e semelhança dos seus interesses pessoais e daquilo que para eles mesmo acreditaram ser a felicidade e bem estar pessoal, que para ser concretizado, necessitaram de que o trabalho que gera a riqueza fosse levado a cabo de forma submissa pelos seus semelhantes.
Para que tal objectivo fosse concretizado, utilizaram todas as armas de intimidação e de medos que estavam ao seu alcance, entre elas e no que se refere à sociedade ocidental, o aproveitamento da figura de Jesus e de Sócrates para assim criarem uma moral baseada na ameaça do castigo e da desgraça que seria inevitável para aqueles que não submetessem a sua vontade à uma formula de virtude por eles criada que era aquela que mais convinha ás suas próprias vontades.

É este o panorama que hoje se nos depara quando observamos a vida. Por este motivo as massas continuam a percorrer insanos os caminhos da sua mente no sentido de encontrar a sua identidade amordaçada pela castração da sua vontade de poder.
O Homem não é um elemento de um coro, é um solista, canta a solo. Todos os Homens são diferentes e a igualdade que a sociedade adopta como um valor é uma mentira descarada.

A igualdade não pode ser entendida como uma fórmula de transformar cada espírito numa coisa que deve ser assim mesmo igual aos outros.
A igualdade deve ser entendida como sendo a fórmula que permite que cada ser se expresse individualmente consoante aquilo que ele é, consoante aquilo que a sua vontade determina, livre e não submisso, aquele que voa e não aquele que rasteja.

O desejo de criar


O desejo de romper com a ditadura daquilo que é o “bem”, o “belo”, que é a “virtude” que mutila, é um acto criativo.

E este acto criativo, aos olhos daqueles que negam, daqueles que não ousam dispôr da inteligência como força, daqueles cujo niilismo redutor assume formas reactivas camufladas na acção da “caridade” e que se oculta sob o manto do poder do múltiplo formando comunidades de forças reactivas, é visto como um “pecado” e de imediato reagem unindo as suas fraquezas para assim, sob a aparecia ilusória de força, dar inicio ao julgamento inquisitório.

A vontade concretiza-se não reagindo, mas agindo… Nunca através das palavras a vida pode ser avaliada ou medida. A acção e a afirmação das inteligências é um enorme e infinitamente fértil terreno, que pode receber tudo aquilo que cada um pretenda semear.

Marcadores somáticos


Sugiro que a mente seja o resultado do conjunto de estímulos provenientes do meio externo e do meio interno do sujeito, cujas imagens seriam são entendidas através da razão e geridas pela inteligência.

Raciocinar seria assim observar e avaliar tudo aquilo que evocamos, ou seja tudo aquilo para onde a nossa atenção é dirigida num determinado momento, ou seja, raciocinar é tomar uma decisão que está suportada nos múltiplos elementos que a nossa capacidade de pensar nos disponibiliza.

António Damásio sugere que esse acto tem uma ajuda preciosa proveniente de automatismos que são independentes da nossa vontade e designados por marcadores somáticos, que excluem logo à partida um conjunto infindável de possibilidades que resultam da conjugação das múltiplas hipóteses de decisão perante um determinado cenário, pois se assim não fosse, o acto de raciocinar seria transformado numa tarefa impossível pois entraria numa espiral alucinante de infinitas hipóteses de opção que o tornavam incapaz de agir com eficácia e em tempo útil perante as circunstancia que se lhe deparam.

Esta questão dos marcadores somáticos parece importante e talvez mereça a nossa atenção. Os neurologistas tenderem a suspeitar que a sua origem se encontraria algures no DNA que geneticamente é transmitido ao individuo. Enquanto tal não é demonstrado, eu sugiro que a sua origem esteja na capacidade inteligente do indivíduo, que por sua vez, não parece estar inscrita no DNA. O que será isto? A Inteligência?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sensações místicas são resultado de lesões cerebrais?


Na “Nature” está publicado um artigo acerca das suspeitas de que as sensações místicas são resultantes de lesões cerebrais.


Tudo aquilo que compõem um determinado universo mental parece ser uma consequência determinada pela fisiologia e pela anatomia que o cérebro disponibiliza ao ser, no entanto, uma vez mais aquilo que é essencial continua para lá de toda e qualquer suspeita ou verificação factual, ou seja, o que é a inteligência e quais são os mapas cerebrais que a determinam e caracterizam... acontece que a resposta a esta questão é impossível de ser obtida através de qualquer tipo de metodologia dogmática, pois inverte o sentido dos processos da causalidade... António Damásio empurra para a genética este problema mas afinal está a inteligência inscrita no DNA?

Uma outra questão que me sugere esta leitura é a seguinte: até que ponto pode ser o cérebro “normal” responsável pela inibição de recursos biológicos ao nível da sensibilidade, ou seja, de que modo pode uma alteração da anatomia do cérebro e não necessariamente de cariz doentia ou traumática, criar condições para que a sensibilidade possa proporcionar um nível de entendimento do objecto que se manifesta disponível na consciência de uma determinada realidade mental. De que forma, poderemos afirmar a irrealidade destas vivencias, pois assumem desta forma um carácter empírico de igual legitimidade que têm aquelas observadas através da sensibilidade comum. De novo volta à questão anterior, ou seja, o que é a inteligência e de que forma poderá ter um papel determinante na construção da mente humana.