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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mente Quântica


Desta feita, para variar estou no papel de comentador, de crítico da razão, do avaliador que procura explorar os pontos fracos desta exposição na perspectiva de contribuir para a análise desta matéria observando a questão por pontos de vista diferentes daqueles que aqui estão expostos.
Com isto quero dizer, que poderia perfeitamente corroborar com aquilo que aqui está escrito, mas nada seria mais desinteressante para o desenvolver do pensamento.
Pode ser que sim, que as coisas sejam conforme são descritas aqui. É uma probabilidade cuja lógica está assente em evidências empíricas e portanto com boas possibilidades assertivas.
Mas é perfeitamente possível criar inúmeras outras hipóteses fundamentadas exactamente os mesmos pressupostos, e assim, não sendo universal esta teoria é também potencialmente falsa.
Por outro lado, estas ideias são formuladas através de sistemas eles próprios de natureza quântica, as partículas que constituem o cérebro que sustenta esta teoria têm elas mesmas um comportamento quântico, não estão acima da dualidade partícula-onda, ou seja, segundo a concepção aqui descrita somente estão localizadas quando são percepcionadas e assim, a própria teoria é fruto de uma mente quântica, produto de um cérebro quântico.
Como pode o Homem se está contido neste sistema, explicar uma realidade que se encontra para aquém e/ou para além dele próprio?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Acerca de Deus

Olá Joaquim

Custa-me acreditar, e chega a ser praticamente inconcebivel para mim, um Deus que nos "insere" num mundo, no intuito de evoluirmos, tendo para tal que passar por todo o tipo de expiações por não ter sido merecedora em outras vidas passadas e assim ter de pagar aqui (com a mesma moeda), e ainda, todo o tipo de provas, que acarretam uma vasta e brutal quantidade de sofrimento, a todos os níveis possíveis, e que para tal seja obrigada a viver nesse mundo com medos, dor (mental e física), para poder ser merecedora e assim passar de nível e evoluir, sem ter a mínima consciência desse processo e sofrer, sentindo-me muitas das vezes desamparada e perdida!!
Soa-me a um Deus julgador, com regras, conceitos certos e errados, punitivo, arbitrário, sem compaixão por seus filhos (um pai ou uma mãe evita ao máximo o sofrimento de um filho seu), e como tal, muito perto ou idêntico ao comportamento humano! Pressupões um Deus assim?? Um Deus que foi capaz de criar a mais extraordinária e perfeita natureza, inclusive nós "quase" máquinas perfeitas, um vasto Universo com todas as leis imaginárias e inimaginárias possíveis que se entrelaçam numa perfeita sintonia??
Eu não!! 

Conheço muitos casos e relatos de pessoas que já passaram por experiências ditas "estranhas", inclusivé eu, que me comprovam que algo, extremamente subtil, existe mas que nos escapa aos nossos comuns sentidos (tanto que também não poderia desacreditar o vasto e extenso número de pesssoas que relatam seus casos extraordinários que fogem à razão humana, mas não creio que o caminhos seja por aí, e que a explicação/desenlace de todo este mistério que somos nós e o universo onde estamos inseridos seja mais simples e singela do que aquilo que sequer possamos imaginar, e por isso, a minha teimosia de continuar a tentar desvendar a mim mesma o mistério de Deus na minha Vida.


Olá Analuz!

Não, eu não concebo um Deus avaliador e medidor da acção ou da vontade de todas as "coisas" entre elas se encontra o Homem. Por outro lado eu nem consigo conceber Deus, a menos que esse Deus seja um criador cuja inteligência arquitectou e construiu no sentido literal dos termos aquilo que é o nosso universo de vida da mesma forma que a inteligência humana realiza as suas criações. De toda a forma, esta imagem não resolve a questão metafísica acerca da natureza de Deus pois não se insere no inicio de todas as coisas, ou seja, esse nosso Deus particular teria também ele a priori da sua existência algo com que se preocupar, ou seja, independentemente de ser o nosso criador também andaria com as candeias às avessas averiguando quem o criou a ele mesmo. Assim, Analuz, francamente não penso ter nem hoje nem nunca, pelo menos na condição humana de ter qualquer tipo de condições para entender a natureza de Deus, que por definição é um efeito sem causa.

Também parece ser completamente óbvio que aquilo que é a noção de bem e de mal é um produto cultural, proveniente do exercício do poder daqueles que ao longo dos tempos moldaram a vida conforme as conveniências dos seus interesses pessoais. Se não acredito que Deus avalia e mede a vida de cada um, que defina noções de bem e de mal, no que respeita aos Homens, não o aceito, restringindo por completo a submissão da minha vontade de poder às leis que regulam a conduta em termos penais e nem mais uma concessão por mínima que seja.

Claro que sabes, que os textos que aqui são expostos neste espaço dedicado á palavra dos “mortos”, apesar de serem da minha autoria, foram escritos através daquilo que denominamos mediunidade. Independentemente da verdadeira natureza dessa sensibilidade, seja ela de proveniência mental do próprio autor ou de proveniência externa, expressam ideias cuja justeza dos seus conteúdos estão muitas vezes em desacordo com aquilo que a minha vontade pessoal, que a minha razão ou a minha consciência avaliadora da justiça considera correcto, ou seja, mesmo que estes textos seja um produto da minha mente, aquando da sua concepção passaram imunes pelo crivo da minha consciência auto avaliadora.

Por fim e para não abusar do tempo de antena, lol, gostava que comentasses esta ideia: Algures no nosso cérebro, são elaborados mapas mentais que determinam as sensações de bem-estar ou de mal-estar, de tranquilidade e paz ou sobressalto e sofrimento, de felicidade ou infelicidade e cuja proveniência advém da avaliação que nós mesmo fazemos acerca da nossa própria conduta. Que te parece a ideia de que o “castigo” seja auto infringido consequência intima de uma acção não condizente com aquilo que a própria consciência de justiça considera correcto? Nesse caso, Deus estaria completamente inocente perante aquilo que é o sofrimento individual... que te parece esta ideia?



Boa noite Joaquim


Sempre fui de natureza constetataria! Acredito vivamente que tudo aquilo que sinto verdadeiro e que me dá vontade de fazer é a minha verddeira essência, no entanto, sinto-me como que aprisionada num mundo em que me não é permitido ser, sentir e viver de acordo com aquilo que me faria sentir plena e viva!!

O nosso mundo rege-se por atitudes morais aceitáveies, e quando temos a coragem de exprimirmos aquilo que nos vai na alma e que contradiz a dita moral sentimo-nos de imediato apontados, regeitados, rotulados e todos os mais (ados) imaginários, circunstâncias que ninguém quer passar por necessitarmos do apoio e aprovação constante dos demais para podermos sentirnos amados (estou convicta que este é um medo real que todos sentimos porque imaginamos que aquando da morte podemos enfrentar um mundo distinto sózinhos e desamparados) e sem ninguém a quem possamos pedir uma mão, e isso nos aterroriza).

Tal confronto directo com a nossa vontade intíma que grita n na alma e que não consegue meios aceitáveis pela sociedade para ser exprimida, provoca, como não, o sofrimento mental., traduzido em reacções de ira, raiva, culpa, essencialmente culpa, que nos leva, como tu bem supões, ao auto-infringido sofrimento.

No entanto existe em nós, porque o sentimos dentro, outro tipo de sofrimento, aquele que sentimos e que nos arrebata a alma e nos deixa impotentes (como aquele quando alguém que realmente amamos desaparece do nosso mundo real)ou a saudade, o desamparo, a preocupação, ou mesmo, a dor que sentimos dentro que dilacera por motivos só teus, do teu universo mental, da tua maneira especial e única de sentir aquilo que te vai na alma! Não,não acredito que Deus seja responsável pelo meu sofrimento, nem mesmo pelo dos demais, acredito sim que tal sofrimento é razão dum sentir constante de vazio, de falta de algo que sei que é aquilo que faz parte de mim e que me foi privado desde que neste mundo entrei, a união com algo que, mesmo no estado humano, sei definir com o MEU DEUS!!

CRASH – David Cronenberg, 1996


Correspondência com Zé Alberto

Do ponto de vista estético, existem no Cinema sérias dificuldades em determinar o que é, quem é o autor da "obra de Arte", como também em verificar se este pode ser reconhecido como tal pois quando avaliado através de opiniões que definem "arte" como sendo uma manifestação de uma vontade individual induzida por aquilo que possa ser entendido como sendo a "alma", a "7ª arte" sendo um objecto cuja concepção é colectiva, onde a interversão de um grupo de indivíduos o transformam não na manifestação da vontade individual mas sim num produto resultante da acção determinada por uma multidão de vontades individuais que passam pelo argumentista, pelo realizador, pelos actores, pela fotografia, etc, etc, etc, torna-o refém da determinação da significância atribuída à palavra "arte" para que a sua aceitação no campo seja efectiva.

O mesmo já não se pode argumentar perante a "theorie" do Zé Alberto, estamos perante uma interessante situação onde é possível verificar como pode um objecto que para estar em conformidade com aquilo que é "arte", carece de defesa da legitimidade, dar origem à criação de um objecto de arte literária cuja legitimidade está acima das questões que envolvem o Cinema. Mesmo que o Cinema seja um produto da actividade cultural das sociedades, potencia como aqui está demonstrado, a criação de obras de arte cuja legitimidade como tal é naturalmente aceite de forma muito mais pacifica em termos de opinião. 

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Universo Holográfico

O Universo Holográfico
Analuz

Subsistem questões que parecem estar para além do foco deste texto. A primeira e mais relevante tem a haver com com a matriz pois não parece resolver o problema apenas substitui o objecto daquilo que constitui  a componete  material da vida.
Esta sugestão está sustentada pelo seguinte:
Independentemente da natureza daquilo que é o universo mental do individuo ele é  partilhado por todos que habitam um detrminado nivel vibratório,  uma matriz,  uma dimensão, uma morada, um universo ou qualquer outra adjectivação que a vontade decida empregar.
A proposta da revolução copérnica sugerida no pensamento de Kant (aqui vai ele Analuz, lol) transfere o ponto de vista da observação da mente para a "coisa em si", ou seja, esta passa a estar desprovida de toda e qualquer avaliação analitica e sintética que o observador dela possa fazer.
Assim, retirando da equação aquilo que é um produto mental, a "vida" continua, não continua?
A questão é que o Homem esta contido nesse mundo e não o contém. Se um cerebro está a observar uma pedra, e se as ligações  neurologicas que lhe permitem "ver", "ouvir" "tactear", " cheirar" ou "saborear" forem interrompidas, a pedra continua lá, não como uma "pedra" ou seja, detendo os atributos que os sentidos humanos lhe conferem mas como uma "coisa em si", ou seja, a pedra está pouco preocupada com as questóes existenciais que o Homem cria em redor da sua propria identidade. Mesmo que o Homem decida que a pedra não é mais do que um produto da sua mente mentirosa e que ela afinal não passa de um holograma fruto de uma matriz a ligitimidade desta afirmativa é desprovida de sentido quando transferimos o foco do observador do Homem para a pedra, porque assim sendo ela está lá quer existam ou não existam cérebros para a analisarem e sintetizarem (lol)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sustentabilidade

Bom dia Manuela Araújo e presentes.
Sou da opinião, porque o sinto de forma efectiva e em todos os grupos de indivíduos que habitam cada uma das suas esferas de vida particulares, desde aqueles que decidem não contribuir de forma alguma para desenvolver qualquer tipo de actividade social até aos grupos que detém o comando dos vários estratos de poder, social, económico e político, uma característica comum a todos eles: situam-se num patamar inteligente em cuja vontade é guiada por aquilo que são os seus interesses particulares e agem sempre, tendo em mente a finalidade única de que as suas acções sejam traduzidas em resultados que os possam favorecer. Tive a oportunidade de há uns tempos atrás, passar uma tarde a desenvolver uma tarefa que consistiu em receber e encaminhar pessoas sem recursos financeiros que se dirigiam a um centro de solidariedade social, onde lhes são oferecidos vários bens de primeira necessidade, como alimento, vestuário ou medicamentos e confesso que fiquei perplexo ao verificar que em quase todos existem tipologias de condutas morais ditadas pelos mesmos tipos de interesse dos que movem os que detêm o poder. O mesmo verifica nas relações laborais, sociais e mesmo no seio das relações familiares, onde o universo emocional que caracteriza as relações de afecto nas mais das vezes não são suficientes para que o amor expresso na acção completamente desinteressada seja efectivo.
Com isto quero-me referir acerca do meu pessimismo a propósito da possibilidade da sustentabilidade do planeta seja possível de ser obtida num tempo anterior à desintegração das condições que favoreçam a existência da vida, pois somente através da experimentação directa do que isto significa, poderá resultar na mudança de sentido evolutivo na inteligência de cada individuo, não porque pense necessária a preservação da vida para assegurar a continuidade da espécie humana, mas sim porque eles mesmo não podem nessas condições concretizar as vontades de poder individuais.
Como não me parece ser possível que a palavra possa ter um efeito efectivo na evolução dos padrões da inteligência moral e que somente a experimentação empírica das situações que a vida impõe o possa fazer, temo que a derrocada da civilização seja uma inevitabilidade.

sábado, 22 de maio de 2010

Acerca da Democracia

Bom dia Arsénio Mota. É um privilégio a oportunidade ler o seu Blog.

Tinha 7 anos no dia 25 de Abril de 74 e assim nunca me senti vivo em outra sociedade que não democrata. Até ao dia em a minha vontade de poder deu o seu primeiro sinal de existir, acreditei que a vida social era regulada por padrões de uma moralidade inteligente, em que tal como observava no seio família, as leis reguladoras da conduta são formuladas em prol de bem-estar comum. Nunca me passaria pelas ideias que a minha mãe não me deixava comer muito chocolate porque ele o queria quase todo para si. Da mesma forma sempre assumi que o trabalho era o cumprir com uma cota parte no desenvolver das tarefas necessárias ou seja, a mim tocava aspirar o chão da casa e à minha irmã lavar a louça. E tanto a minha irmã vivia num chão limpo como eu comia em louça lavada. Foi grande a perplexidade quando descobri, que afinal em democracia, o chão que eu limpo não pode ser utilizado nem por mim nem por ela e que a ambos está interdita a louça que ela lava. Afinal, o que estado democrático quer é que eu aspire o chão que ele pisa e que a minha irmã lave a louça que ele suja. Explicam: tu podes escolher quem te governa. Mas logo me desiludi ao descobrir que não podia escolher a minha mãe. Em democracia só está a votos um portefólio de madrastas de Cinderela. Acho que posso escolher a cor com que elas se vestem. Explicam: Tens o direito de falar, de dizer aquilo que pensas estar errado. Mas quando chego ao local dos protestos, a multidão aos gritos é de tal forma densa e numerosa que se torna impossível entender ou mesmo ouvir o que quer que seja. E o pior, é que quando me afastava do local, descubro que por detrás deste cenário estão todas as madrastas vestidas de todas a as cores em alegre confraternização... não posso jurar mas diria que combinavam qual delas iria ficar comigo durante os próximos quatro anos.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O que é a inteligência? (II)

Boa noite Porfírio.
Agradeço sinceramente a atenção que me presta e tenho em muito boa conta as suas opiniões cuja competencia está amplamente demonstrada no seu excelente blog. No entanto, penso que não abordou a questão nuclear daquilo que tento sugerir. Estou de acordo, como não podia deixar de estar pois é uma evidencia empirica, que o sistema nervoso onde se pode incluir também o cerebro enquadrado nesta prespectiva, tem em si mesmo mecanismos completamente autonomos que agem independentemente da vontade. Sem duvida que a genética e mesmo a parte acertiva que contêm as teorias evolutivas respondem de forma satisfatória a esta questão. No entanto posso afirmar sem receio de ser desmentido que o Homem, detem em si propriedades cuja natureza vai muito para além destes sistemas biológicos e já agora aproveito a oportunidade para abrir um parentiis para referir a extraordinária comptencia que a natureza demonstra e cuja organização estrutural indica que estamos perante um produto de uma acção necessariamente inteligente e que independe por completo da Humana. Mas isto são contas de outro rosário. :o)
É também sabido, e remeto de novo para as sugestões de António Damásio, que a hipotese do sistema nervoso no seu conjunto ser e socorrendo-nos de novo da genetica e dos pontos de vista evolutivos, fruto de um encadear de respostas a novas necessidades que o Homem foi adequirindo, um conjunto de "unidades"  de onde se podem identificar os seus constituintes "históricos" a que correspondem a um determinado estado evolutivo, tem sido confirmada de forma empirica pelos resultados dos estudos que são levados a cabo.
E assim, de novo chegamos ao mesmo labirinto em que me encontro, que acima descrevi. Se não pretender-mos utilizar a palavra "inteligencia" passamos a chamar-lhe "coisa". :0)
A imagem é simples e vou renomeala. Estamos num laboratorio e induzimos reacções neurológicas que provocam uma emoção que desencadeia em tristeza. O individuo fica triste porque o indutor o "obriga" a esse estado de espirito. Pergunto: quando desligamos o mecanismo indutor, quel é a "coisa" que irá induzir do ponto de vista sináptico o cerebro, uma vez que o individuo para sentir tristeza não tem de estar ligado a nenhuma máquina? Penso que não existe nesta questão forma de colocar o rabo da pescada na boca :0D

O que é a inteligência?

Boa tarde Porfírio, boa tarde Ana Paula.
Interessante tema em conversa. Peço desculpa mas não resisti ao impulso de falar. Pretendia se assim considerar interessante, introduzir a variável "marcadores somáticos". António Damásio propõe que o cérebro humano disporá de mecanismos que permitem que o processo de decisão seja optimizado, para que uns conjuntos de variáveis muito para além do exequível não sejam tidos em conta no processo de decisão, evitando assim o colapso da acção tanto no que se refere à qualidade como ao tempo útil em que esta deve ser tomada.
O que não me parece óbvio é a justificação sugerida acerca da proveniência genética desse potencial inteligente.
Em termos experimentais, a neurobiologia utiliza indutores que provocam respostas sinápticas num indivíduo, ou seja e por exemplo, a emoção pode ser provocada por impulsos controlados por um investigador. No entanto isso parece demonstrar, não só a evidência da natureza biológica dos sentimentos, mas também e isto não é tido em conta pelo que me tem sido dado a observar, a indispensável intervenção de um agente indutor que é responsável pelo desencadear dos processos causais que originam um mapa cerebral a que corresponde um universo mental.
Assim, qual é a coisa, que continua a induzir o cérebro quando o indutor experimental é desligado? Não existe pois a necessidade da existência de um agente que potencia a concretização do real e não terá esse agente de existir para aquém da mente? Se assim fosse, de que forma seria possível às instruções do DNA conterem informações acerca dele?
Não será legitimo suspeitar, atribuindo à palavra inteligência o papel de agente indutor da realidade mental do indivíduo, que a inteligência é a responsável que induz a decisão, a vontade, e por isso a própria vida? Não será ela também a sua utilizadora e a sua administradora?  Etc…

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Acerca do Poder

A questão que evoco é acerca da forma como o poder é exercido e da relação que existe entre o seu método e aquilo que define uma autoridade.

Ser autoridade, pode ser uma autopromoção desqualificada em nome do poder, mas nada disso lhe adianta quando quem exerce um dever não o leva a cabo através da vontade de o fazer.

Assim, se quiseres utilizar a palavra “autoridade” para descrever o conjunto dos meios através do qual o poder é exercido, eu digo que existem inúmeras formas de exercer a autoridade.

Quando esta é exercida tendo no poder a única formula resolutiva estamos na presença de um universo mental cujo princípio inteligente é obviamente pouco dotado, pois os seus resultados são mínimos e ineficazes quando ao seu objecto, para além de potencialmente serem insustentáveis através do tempo.

Quando um princípio inteligente entende que aquilo que determina acção não é a sua vontade própria mas sim a forma como ela é exercida para o consumar do objectivo determinado, facilmente verifica que o exercício do poder é apenas um recurso que servirá para corrigir os actos falhados da sua autoridade, denominando aqui autoridade aquilo que advém da legitimidade do exercício da liderança ser uma consequência daquilo que define o seu princípio inteligente que naturalmente transforma o dever de fazer em vontade de fazer, ou seja transforma a opressão em liberdade.

Assim, e explicando de que forma esta matéria está enquadrada com o exercício da liderança, o universo mental que a constitui, está dependente da característica do principio inteligente que o gere, ou seja, a caracterização da vida que se gera á sua volta e do qual ele é responsável depende da competência que tem ou não a sua inteligência.

Assim, enquanto o poder pode ser adquirido, a autoridade é uma qualificação conquistada.

Um óptimo exemplo que define um local onde a autoridade terá de ser exercida com um diminuto exercício de poder, é quando o dever é exercido de forma voluntaria.

A autoridade moral é aquela que advém da superioridade moral cuja acção está independente do exercício do poder, ou seja, decorre através da vontade, ou seja daquilo que falo aqui.

domingo, 16 de maio de 2010

Imortalidade

Olá Elsa.

Do ponto de vista da crença religiosa, eu sou agnóstico na linha de Kant. Isto significa que apesar de entender Deus como sendo inevitavelmente necessário, não creio que o Homem tenha possibilidades de o experimentar. Neste link está editado um texto que justifica um pouco mais esta minha posição actual.
No entanto, como não sou adepto da "religião Darwinista" admito a possibilidade do processo evolutivo ser fruto da evolução do principio inteligente, o que não passa de uma hipótese especulativa ainda que reforçada pelo facto de que, aquilo que defino como inteligência, ou seja, o potencial da capacidade de utilização e gestão dos recursos mentais, ou seja, aquilo que em ultima analise é determinante para a elaboração de uma identidade que é única e que define um ser,não está inscrita no DNA, como tal, impossível de estar contida em qualquer justificação evolucionista ao nível das explicações genéticas. De momento fico por aqui, teria muito a partilhar contigo nesta troca de ideias, mas fico muito interessado em "escutar a tua opinião.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Immanuel Kant vs. Física Quântica

Olá Carlos.

Acabei de reler a "Critica da Razão Pura" de Kant. Foi a primeira vez que o fiz após o comportamento quântico da matéria ter desperta a minha atenção. Se não soubesse que esta obra tinha sido publicada em 1871, juraria que ele a fez inspirado na teoria quântica.

Nesta Critica, a Matemática e a Lógica são afirmadas como ciências que desde os tempos da Grécia antiga, iniciaram um cominho seguro e onde as virtudes da Física são consideradas pois que já no século XVII iniciam um percurso idêntico e cuja obra “Principia Philosophiae Naturalis “ é sinónima de perfeição.

Isto é afirmado e reafirmado por Kant, ao longo de toda a vida deste filósofo e a “Critica da Razão Pura” é exactamente elaborada no sentido de conferir à Metafísica um idêntico rigor científico e indesmentível.

Do ponto de vista do enquadramento circunstancial do seu pensamento, de forma clara e pelo próprio referenciado, parte dos ensaios de Descartes, que inclui as relações algébricas de onde se inicia um percurso racionalista onde Leibniz e Wolf dão a forma a um sistema que não se diferencia do matemático nos seus princípios de identidade e contradição. Este percurso desagua finalmente no cepticismo de Hume, onde o sujeito é diminuído a simples agente de associações de representações sensíveis, onde surge pela primeira vez a noção de fenómeno como objecto formal do conhecimento.

E é exactamente aqui que se enquadra o pensamento de Kant, que culmina na sua critica da própria razão. Surge após o período dogmático de Wolf e o céptico de Hume.

Kant realiza a revolução corpenicana, ou seja, o conhecimento a priori do objecto é possível quando a intuição não é guiada pela natureza do objecto mas sim quando o objecto se guia pela faculdade da intuição humana.

E assim recolocamos as coisas no seu devido lugar de forma a finalmente ser possível verificar até que ponto, o que resta expor acerca da crítica à razão pura poderá ou não ser de utilidade para a compreensão do comportamento quântico da matéria.

Uma troca de impressões utilizando uma plataforma virtual através da qual não existe qualquer contacto entre os interlocutores, é responsável pelo aparecimento de padrões mentais que diferem em muito daqueles obtidos através da comunicação pessoal e que são responsáveis para o surgir de emoções que desencadeiam sentimentos que não seriam potenciados numa situação pessoal. Se estivesse-mos em contacto através de video conferencia, de certo nunca trocaríamos entre nós o mesmo tipo de impressões tanto na forma como no conteúdo, consequência de estados mentais diversos que proporcionariam a natural predisposição para a defesa intelectual, que é responsável de múltiplas más interpretações mesmo quando a mensagem é simples e aparentemente inconfundível.

Aquilo que pretendo sugerir é verificar SE as propostas de Kant na sua Critica da Razão Pura, e somente esta obra está em foco e nenhuma outra mais, PODEM ou NÃO ser tidas em conta, serem possíveis "apostas" num possível processo de verificação factual ou empírica no sentido de esclarecer qual das interpretações da para o comportamento quântico da matéria está correcta ou mesmo se nenhuma delas o está.

As perspectivas especulativas em nada interessam ao conhecimento factual com pretensões científicas de Kant. Aquilo que pretendeu demonstar são os limites do conhecimento humano e em termos metafísicos debruça-se nas questões que têm a ver com Deus, Liberdade e Imortalidade da Alma.

Um exemplo do comportamento quântico da matéria:

O locutor que comentou o resumo do jogo Porto-Benfica na época 2009/10 na RTP 1 disse que a bola não bate no braço mas sim na axila de Fábio Conterão para assinalar a injustiça da falta apontada. Estás a ver como o Kant tem razão? A coisa em si afinal difere em muito da forma como a sensibilidade individual entende o fenómeno. A mente deste senhor interpreta a coisa "bola" como sendo dotada de plasticidade suficiente para tocar os sovacos humanos sem que exista qualquer contacto com o braço e o corpo. Ou então a coisa "axila" é percepcionada neste cérebro com uma forma e dimensão completamente distinta do que é o senso comum. Seria interessante compreender a forma de certo peculiar como o corpo humano se apresenta na sua mente. Vês? E agora? Tens coragem para continuar a defender os teus dogmas?

Uma convicção pode ser uma certeza comprovada factualmente, cuja verdade é universal e incontestável, como também pode ser uma crença, um ponto de vista ou mesmo uma fé. Na minha razão, não concebo qualquer um dos significados, nem adopto a priori qualquer tipo de partido em relação à avaliação das coisas. O exemplo que é a evolução dos conhecimentos em todas as áreas das ciências, onde se inclui a física e a matemática, onde as verdades absolutas se tornaram relativas, necessitando de circunscrever um âmbito de assertividade assim me aconselham. Como tal é prudente, sistematicamente substituir a palavra convicção por sugestão, libertando assim a mente de qualquer tipo de submissão a uma verdade dogmática que sempre se demonstra circunstancial num espaço e num tempo.

Por falar em espaço e tempo, Kant sugere que são duas coisas que existem em dimensões diferentes. Enquanto o tempo é um sentido interno do sujeito, o espaço é um sentido externo. Espaço e tempo são noções que a sensibilidade humana possui a priori, ou seja, independentemente de qualquer experiência. (Isto vai aos poucos... quando deres por ela admites Kant como aquele que foi capaz de inteligir as propriedades quânticas da matéria sem sair do sofá).

Para te esclarecer acerca daquilo que conheço da Física Actual, na óptica do utilizador, claro, para além dessa teoria, tal como tu conheço muitas outras mais, que como sabes vão surgindo com a cadência que a matemática exige para a resolução das múltiplas perplexidades ou singularidades que vão sendo descobertas ao ritmo da evolução do conhecimento. 

O meu convite vai no sentido de fazeres comigo o percurso que nos leva até aí, analisando as questões que nos vão surgindo de forma a verificar a utilidade OU NÃO da minha proposta.

O espaço e o tempo estão interligados numa teoria criada através da mente humana, resultante de uma vivência mental, ou seja fruto da experiência, ou seja a posteriori e cujos princípios por si mesmo são obtidos a priori, ou seja, sem que estes tenham sido objecto da aceitação universal mas sim adoptados de forma dogmática.

O resultado desta postura é a existência de inúmeras teorias e correntes de opinião, cada uma dotada das mais profundas convicções e exactamente com as mesmas legitimidades assertivas. Este percurso abre ainda caminho ao cepticismo resultante de uma enraizada confusão onde a verdade é pontapeada de um lado para o outro.

Tanto na época de Kant como hoje não é o tempo um sentido interno do sujeito? Não é o espaço um sentido externo do sujeito? Não são ambos e da mesma forma obtidos sem qualquer contributo da experiência, ou seja, não são ambos do domínio da razão pura, ou seja, independente de qualquer tipo de vivência mental?

A minhoca existe necessariamente, mas como uma coisa em si. Necessitava que tentasses transferir o foco da tua observação de ti mesmo para a minhoca. Se o fizeres entendes com mais simplicidade que a coisa "Minhoca" existe para além daquilo que os teus sentidos experimentam, ou seja, subtraindo daí toda a analise e toda a síntese que o teu entendimento opera.

Sei não ser necessário enumerar a quantidade de teorias da física que existem para tentar compreender a natureza das coisas. E essas teorias provêm de mecanismos cerebrais perfeitamente correlacionados com aqueles que os filósofos utilizam, ou seja, parte-se da filosofia da física para a física experimental. Já agora, o campo de Higgs tarda a ser confirmado, por exemplo e se não o for, do ponto de vista objectivo continuamos a não entender como é possível as partículas terem massa.

O que eu afirmo como evidência é que o tempo é um sentido interno do sujeito, ou seja, somente existe se o sujeito existe, ou seja, a noção de tempo é uma medida de um sentido interno do Homem e não de um sentido externo. Não vemos o tempo, não o ouvimos, não o cheiramos, não lhe podemos tocar... isto é óbvio?
A noção de espaço é um sentido externo, é percepcionado através dos sentidos externos, certo? E por fim não é necessário qualquer tipo de experiência, qualquer tipo de verificação analítica ou sintética que o entendimento forneça à razão para que deles tenhamos perfeita noção. Certo?

Com isto quero explicar, e de momento é simplesmente isto, que tanto tempo como espaço existem no sujeito independentemente de qualquer experiência, ou seja, existem a priori de qualquer experiência... de acordo?

A metafísica está para a vida como o carvão para a locomotiva. Enquanto o fogo o consome o filosofo gera energia.

Até breve.

Carta ao Mário Borges

Mário, este comentário visa este e outros artigos de opinião que aqui publicas na linha de observação daquilo que são os efeitos gerados pelas práticas políticas correntes. A "liberdade de expressão" e de "voto", um direito orgulhosamente exibido pelo "povo" e atirado à sua cara pelos estados, como prova irrefutável da sua elevação moral, expressa na realização num trabalho incansável em prol do bem comum, é uma grande impostura comprovada e demonstrada concorrentemente pela prática da vida. Se uma voz se eleva de forma ofensiva contra um regime opressivo ou repressivo, tem o poder potencial da concretização dos seus propósitos, pois como é gritada de forma isolada é perfeitamente audível por todos. O mesmo não acontece numa sociedade democrática. Como todos podem falar, assiste-se a um murmúrio completamente inaudível fruto do somatório de milhões de vozes que entre si se abafam, tornando a "liberdade de expressão" em algo completamente ausente de sentido ou significado, uma coisa completamente inócua, sem qualquer tipo de poder e como tal perfeitamente inofensiva. Em nada admira que o poder "democrático" ceda este direito ao rebanho que encaminha. O "direito de voto" tem como única finalidade uma função meramente reguladora e necessária para a decisão das atribuições de poder entre indivíduos cujo perfil psicológico é ditado por ambientes mentais perfeitamente análogos, onde o egoísmo impera e cuja identidade ideológica foi algures no tempo decidido em conformidade com as vontades de poder individuais. Isto é a democracia que visa de forma evidente organizar as vontades dos povos em função de interesses individuais.