terça-feira, 15 de junho de 2010

Acerca da anatomia do pensamento ou do que é estar feliz.

O pensamento está intimamente ligado ao estado emocional e sentimental do indivíduo.

Quando os mapas neurológicos que caracterizam um determinado estado mental proporcionam uma vivencia agradável e aprazível, as imagens que o pensamento ilustra, porque de imagem se tratam (já repararam neste interessante pormenor? O pensamento são imagens que se criam na mente fruto de estímulos cerebrais) são ricas, variadas, imaginativas e resolutivas nas mais variadas facetas que caracterizam uma agilidade mental proporcionada por um estado de espírito positivo.

Quando por outro lado, o nosso estado metal é mais doloroso e menos aprazível, o pensamento degenera em algo que se vira contra nós mesmos, tende a sugerir imagens repetitivas que de forma lenta e monocórdica se vão arrastando na mesma medida que a vida se vai diminuindo e apagando.

Independentemente das técnicas adoptadas por cada indivíduo que a elas se socorre para assim activar a sua vontade de viver, sejam elas baseadas na filosofia, na psicologia, na crença, na religião, em dogmas, nas drogas ou na medicina, na política, na pátria, ou no clube do seu coração, pressupõem desde logo um estado mental doente, no sentido de se encontrar em contra-mão com a vida.

Assim, a felicidade, ou seja, um estado mental sadio, é impossível de ser experimentada enquanto o indivíduo encara a vida como algo que contra ele conspira, enquanto observa essa mesma vida como aquilo que durante séculos intermináveis foi sugerido, imposto ou educado, com sendo um local de castigo, de provas e de expiações e que nada mais lhe resta do que a suportar da melhor forma possível, arrastando o seu desprezado e valioso corpo humano até à morte inglória, na esperança que essa atitude mórbida e inútil possa ser a chave para ser feliz num além que parece ser , ou que se ouve dizer, o lugar da descanso e da paz para aqueles que acusam a vida substantivando-a de algoz.

Assim, mais importante do que saber se o pensamento cria ou não formas vivas adoptando uma perspectiva de quem já se treina para estar morto, quando paradoxalmente esse mesmo pensamento não é de forma alguma uma causa mas sim a consequência da representação do corpo no cérebro que por sua vez se constitui como quadro de referencia indispensável para o desencadear dos processos neurais que designamos como mente.

O nosso próprio organismo é utilizado como referência para a interpretação do mundo que por sua vez identifica o carácter de uma personalidade que é a identidade responsável pela subjectividade do mundo mental que criamos. Os nossos pensamentos partem do nosso próprio corpo e consoante aquilo que esse mesmo corpo, ou seja consoante aquilo que a própria vida significa para cada um, assim serão determinadas as imagens que se criam no acto do pensamento, imagens de alegria e de felicidade ou de tristeza e mágoa, imagens lúcidas e rápidas ou baças escuras e lentas, imagens que resolvem a vida ou imagem que a tentam assassinar.

sábado, 5 de junho de 2010

As coisas em si mesmo

As “coisas em si” apesar de serem observadas de forma diferente por cada um de nós, não deixam nunca de ser sempre a mesma “coisa”para elas próprias. Uma banana, a menos que seja comida (lol), é em si mesmo imune a qualquer tipo de julgamento que dela façam, detém uma identidade que em nada é alterada por tudo aquilo que a sensibilidade humana dela possa avaliar subjectivamente.

O ser humano, está de tal forma habituado a viver aprisionado universo mental que tem uma dificuldade extrema em abandonar aquilo que é o seu ponto de vista ou seja aquilo que é a realidade do seu mundo e desloca-lo para fora de si.

A dificuldade em aceitar as propriedades quânticas da matéria são um bom exemplo da perplexidade que causam as evidencias que quando se contradizem quando descritas dentro de um universo mental, os sentidos externos são neste caso negados por uma racionalidade cuja formula está completamente assente em princípios cuja experiencia nunca até aí negou.

Realmente nunca deveria estar em questão no debate filosófico aquilo que o “um” é mas sim aquilo que as coisas são.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mente Quântica


Desta feita, para variar estou no papel de comentador, de crítico da razão, do avaliador que procura explorar os pontos fracos desta exposição na perspectiva de contribuir para a análise desta matéria observando a questão por pontos de vista diferentes daqueles que aqui estão expostos.
Com isto quero dizer, que poderia perfeitamente corroborar com aquilo que aqui está escrito, mas nada seria mais desinteressante para o desenvolver do pensamento.
Pode ser que sim, que as coisas sejam conforme são descritas aqui. É uma probabilidade cuja lógica está assente em evidências empíricas e portanto com boas possibilidades assertivas.
Mas é perfeitamente possível criar inúmeras outras hipóteses fundamentadas exactamente os mesmos pressupostos, e assim, não sendo universal esta teoria é também potencialmente falsa.
Por outro lado, estas ideias são formuladas através de sistemas eles próprios de natureza quântica, as partículas que constituem o cérebro que sustenta esta teoria têm elas mesmas um comportamento quântico, não estão acima da dualidade partícula-onda, ou seja, segundo a concepção aqui descrita somente estão localizadas quando são percepcionadas e assim, a própria teoria é fruto de uma mente quântica, produto de um cérebro quântico.
Como pode o Homem se está contido neste sistema, explicar uma realidade que se encontra para aquém e/ou para além dele próprio?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Acerca de Deus

Olá Joaquim

Custa-me acreditar, e chega a ser praticamente inconcebivel para mim, um Deus que nos "insere" num mundo, no intuito de evoluirmos, tendo para tal que passar por todo o tipo de expiações por não ter sido merecedora em outras vidas passadas e assim ter de pagar aqui (com a mesma moeda), e ainda, todo o tipo de provas, que acarretam uma vasta e brutal quantidade de sofrimento, a todos os níveis possíveis, e que para tal seja obrigada a viver nesse mundo com medos, dor (mental e física), para poder ser merecedora e assim passar de nível e evoluir, sem ter a mínima consciência desse processo e sofrer, sentindo-me muitas das vezes desamparada e perdida!!
Soa-me a um Deus julgador, com regras, conceitos certos e errados, punitivo, arbitrário, sem compaixão por seus filhos (um pai ou uma mãe evita ao máximo o sofrimento de um filho seu), e como tal, muito perto ou idêntico ao comportamento humano! Pressupões um Deus assim?? Um Deus que foi capaz de criar a mais extraordinária e perfeita natureza, inclusive nós "quase" máquinas perfeitas, um vasto Universo com todas as leis imaginárias e inimaginárias possíveis que se entrelaçam numa perfeita sintonia??
Eu não!! 

Conheço muitos casos e relatos de pessoas que já passaram por experiências ditas "estranhas", inclusivé eu, que me comprovam que algo, extremamente subtil, existe mas que nos escapa aos nossos comuns sentidos (tanto que também não poderia desacreditar o vasto e extenso número de pesssoas que relatam seus casos extraordinários que fogem à razão humana, mas não creio que o caminhos seja por aí, e que a explicação/desenlace de todo este mistério que somos nós e o universo onde estamos inseridos seja mais simples e singela do que aquilo que sequer possamos imaginar, e por isso, a minha teimosia de continuar a tentar desvendar a mim mesma o mistério de Deus na minha Vida.


Olá Analuz!

Não, eu não concebo um Deus avaliador e medidor da acção ou da vontade de todas as "coisas" entre elas se encontra o Homem. Por outro lado eu nem consigo conceber Deus, a menos que esse Deus seja um criador cuja inteligência arquitectou e construiu no sentido literal dos termos aquilo que é o nosso universo de vida da mesma forma que a inteligência humana realiza as suas criações. De toda a forma, esta imagem não resolve a questão metafísica acerca da natureza de Deus pois não se insere no inicio de todas as coisas, ou seja, esse nosso Deus particular teria também ele a priori da sua existência algo com que se preocupar, ou seja, independentemente de ser o nosso criador também andaria com as candeias às avessas averiguando quem o criou a ele mesmo. Assim, Analuz, francamente não penso ter nem hoje nem nunca, pelo menos na condição humana de ter qualquer tipo de condições para entender a natureza de Deus, que por definição é um efeito sem causa.

Também parece ser completamente óbvio que aquilo que é a noção de bem e de mal é um produto cultural, proveniente do exercício do poder daqueles que ao longo dos tempos moldaram a vida conforme as conveniências dos seus interesses pessoais. Se não acredito que Deus avalia e mede a vida de cada um, que defina noções de bem e de mal, no que respeita aos Homens, não o aceito, restringindo por completo a submissão da minha vontade de poder às leis que regulam a conduta em termos penais e nem mais uma concessão por mínima que seja.

Claro que sabes, que os textos que aqui são expostos neste espaço dedicado á palavra dos “mortos”, apesar de serem da minha autoria, foram escritos através daquilo que denominamos mediunidade. Independentemente da verdadeira natureza dessa sensibilidade, seja ela de proveniência mental do próprio autor ou de proveniência externa, expressam ideias cuja justeza dos seus conteúdos estão muitas vezes em desacordo com aquilo que a minha vontade pessoal, que a minha razão ou a minha consciência avaliadora da justiça considera correcto, ou seja, mesmo que estes textos seja um produto da minha mente, aquando da sua concepção passaram imunes pelo crivo da minha consciência auto avaliadora.

Por fim e para não abusar do tempo de antena, lol, gostava que comentasses esta ideia: Algures no nosso cérebro, são elaborados mapas mentais que determinam as sensações de bem-estar ou de mal-estar, de tranquilidade e paz ou sobressalto e sofrimento, de felicidade ou infelicidade e cuja proveniência advém da avaliação que nós mesmo fazemos acerca da nossa própria conduta. Que te parece a ideia de que o “castigo” seja auto infringido consequência intima de uma acção não condizente com aquilo que a própria consciência de justiça considera correcto? Nesse caso, Deus estaria completamente inocente perante aquilo que é o sofrimento individual... que te parece esta ideia?



Boa noite Joaquim


Sempre fui de natureza constetataria! Acredito vivamente que tudo aquilo que sinto verdadeiro e que me dá vontade de fazer é a minha verddeira essência, no entanto, sinto-me como que aprisionada num mundo em que me não é permitido ser, sentir e viver de acordo com aquilo que me faria sentir plena e viva!!

O nosso mundo rege-se por atitudes morais aceitáveies, e quando temos a coragem de exprimirmos aquilo que nos vai na alma e que contradiz a dita moral sentimo-nos de imediato apontados, regeitados, rotulados e todos os mais (ados) imaginários, circunstâncias que ninguém quer passar por necessitarmos do apoio e aprovação constante dos demais para podermos sentirnos amados (estou convicta que este é um medo real que todos sentimos porque imaginamos que aquando da morte podemos enfrentar um mundo distinto sózinhos e desamparados) e sem ninguém a quem possamos pedir uma mão, e isso nos aterroriza).

Tal confronto directo com a nossa vontade intíma que grita n na alma e que não consegue meios aceitáveis pela sociedade para ser exprimida, provoca, como não, o sofrimento mental., traduzido em reacções de ira, raiva, culpa, essencialmente culpa, que nos leva, como tu bem supões, ao auto-infringido sofrimento.

No entanto existe em nós, porque o sentimos dentro, outro tipo de sofrimento, aquele que sentimos e que nos arrebata a alma e nos deixa impotentes (como aquele quando alguém que realmente amamos desaparece do nosso mundo real)ou a saudade, o desamparo, a preocupação, ou mesmo, a dor que sentimos dentro que dilacera por motivos só teus, do teu universo mental, da tua maneira especial e única de sentir aquilo que te vai na alma! Não,não acredito que Deus seja responsável pelo meu sofrimento, nem mesmo pelo dos demais, acredito sim que tal sofrimento é razão dum sentir constante de vazio, de falta de algo que sei que é aquilo que faz parte de mim e que me foi privado desde que neste mundo entrei, a união com algo que, mesmo no estado humano, sei definir com o MEU DEUS!!

CRASH – David Cronenberg, 1996


Correspondência com Zé Alberto

Do ponto de vista estético, existem no Cinema sérias dificuldades em determinar o que é, quem é o autor da "obra de Arte", como também em verificar se este pode ser reconhecido como tal pois quando avaliado através de opiniões que definem "arte" como sendo uma manifestação de uma vontade individual induzida por aquilo que possa ser entendido como sendo a "alma", a "7ª arte" sendo um objecto cuja concepção é colectiva, onde a interversão de um grupo de indivíduos o transformam não na manifestação da vontade individual mas sim num produto resultante da acção determinada por uma multidão de vontades individuais que passam pelo argumentista, pelo realizador, pelos actores, pela fotografia, etc, etc, etc, torna-o refém da determinação da significância atribuída à palavra "arte" para que a sua aceitação no campo seja efectiva.

O mesmo já não se pode argumentar perante a "theorie" do Zé Alberto, estamos perante uma interessante situação onde é possível verificar como pode um objecto que para estar em conformidade com aquilo que é "arte", carece de defesa da legitimidade, dar origem à criação de um objecto de arte literária cuja legitimidade está acima das questões que envolvem o Cinema. Mesmo que o Cinema seja um produto da actividade cultural das sociedades, potencia como aqui está demonstrado, a criação de obras de arte cuja legitimidade como tal é naturalmente aceite de forma muito mais pacifica em termos de opinião. 

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Universo Holográfico

O Universo Holográfico
Analuz

Subsistem questões que parecem estar para além do foco deste texto. A primeira e mais relevante tem a haver com com a matriz pois não parece resolver o problema apenas substitui o objecto daquilo que constitui  a componete  material da vida.
Esta sugestão está sustentada pelo seguinte:
Independentemente da natureza daquilo que é o universo mental do individuo ele é  partilhado por todos que habitam um detrminado nivel vibratório,  uma matriz,  uma dimensão, uma morada, um universo ou qualquer outra adjectivação que a vontade decida empregar.
A proposta da revolução copérnica sugerida no pensamento de Kant (aqui vai ele Analuz, lol) transfere o ponto de vista da observação da mente para a "coisa em si", ou seja, esta passa a estar desprovida de toda e qualquer avaliação analitica e sintética que o observador dela possa fazer.
Assim, retirando da equação aquilo que é um produto mental, a "vida" continua, não continua?
A questão é que o Homem esta contido nesse mundo e não o contém. Se um cerebro está a observar uma pedra, e se as ligações  neurologicas que lhe permitem "ver", "ouvir" "tactear", " cheirar" ou "saborear" forem interrompidas, a pedra continua lá, não como uma "pedra" ou seja, detendo os atributos que os sentidos humanos lhe conferem mas como uma "coisa em si", ou seja, a pedra está pouco preocupada com as questóes existenciais que o Homem cria em redor da sua propria identidade. Mesmo que o Homem decida que a pedra não é mais do que um produto da sua mente mentirosa e que ela afinal não passa de um holograma fruto de uma matriz a ligitimidade desta afirmativa é desprovida de sentido quando transferimos o foco do observador do Homem para a pedra, porque assim sendo ela está lá quer existam ou não existam cérebros para a analisarem e sintetizarem (lol)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sustentabilidade

Bom dia Manuela Araújo e presentes.
Sou da opinião, porque o sinto de forma efectiva e em todos os grupos de indivíduos que habitam cada uma das suas esferas de vida particulares, desde aqueles que decidem não contribuir de forma alguma para desenvolver qualquer tipo de actividade social até aos grupos que detém o comando dos vários estratos de poder, social, económico e político, uma característica comum a todos eles: situam-se num patamar inteligente em cuja vontade é guiada por aquilo que são os seus interesses particulares e agem sempre, tendo em mente a finalidade única de que as suas acções sejam traduzidas em resultados que os possam favorecer. Tive a oportunidade de há uns tempos atrás, passar uma tarde a desenvolver uma tarefa que consistiu em receber e encaminhar pessoas sem recursos financeiros que se dirigiam a um centro de solidariedade social, onde lhes são oferecidos vários bens de primeira necessidade, como alimento, vestuário ou medicamentos e confesso que fiquei perplexo ao verificar que em quase todos existem tipologias de condutas morais ditadas pelos mesmos tipos de interesse dos que movem os que detêm o poder. O mesmo verifica nas relações laborais, sociais e mesmo no seio das relações familiares, onde o universo emocional que caracteriza as relações de afecto nas mais das vezes não são suficientes para que o amor expresso na acção completamente desinteressada seja efectivo.
Com isto quero-me referir acerca do meu pessimismo a propósito da possibilidade da sustentabilidade do planeta seja possível de ser obtida num tempo anterior à desintegração das condições que favoreçam a existência da vida, pois somente através da experimentação directa do que isto significa, poderá resultar na mudança de sentido evolutivo na inteligência de cada individuo, não porque pense necessária a preservação da vida para assegurar a continuidade da espécie humana, mas sim porque eles mesmo não podem nessas condições concretizar as vontades de poder individuais.
Como não me parece ser possível que a palavra possa ter um efeito efectivo na evolução dos padrões da inteligência moral e que somente a experimentação empírica das situações que a vida impõe o possa fazer, temo que a derrocada da civilização seja uma inevitabilidade.

domingo, 23 de maio de 2010

A Origem das Espécies - Charles Darwin


A Origem das Espécies (em inglês: On the Origin of Species), do naturalista britânico Charles Darwin, é um dos livros mais importantes da história da ciência, apresentando a Teoria da Evolução, base de toda biologia moderna. O nome completo da primeira edição (1859) é On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life (Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida). Somente na sexta edição (1872), o título foi abreviado para The Origin of Species (A Origem das Espécies), como é popularmente conhecido.
Nesse livro, Darwin apresenta evidências abundantes da evolução das espécies, mostrando que a diversidade biológica é o resultado de um processo de descendência com modificação, onde os organismos vivos se adaptam gradualmente através da selecção natural e as espécies se ramificam sucessivamente a partir de formas ancestrais, como os galhos de uma grande árvore: a árvore da vida.
A primeira edição, publicada pela editora de John Murray em Londres no dia 24 de Novembro de 1859 com tiragem de 1.250 exemplares, esgotou-se no mesmo dia, criando uma controvérsia que ultrapassou o âmbito académico. Um exemplar da primeira edição atinge hoje mais de 50 mil dólares em leilão.
A proposta de Darwin, que as espécies se originam por processos inteiramente naturais, contradiz a crença religiosa na criação divina tal como é apresentada na Bíblia, no livro de Génesis. As discussões que o livro desencadeou se disseminaram rapidamente entre o público, criando o primeiro debate científico internacional da história.

Fonte: Wikipédia

sábado, 22 de maio de 2010

Acerca da Democracia

Bom dia Arsénio Mota. É um privilégio a oportunidade ler o seu Blog.

Tinha 7 anos no dia 25 de Abril de 74 e assim nunca me senti vivo em outra sociedade que não democrata. Até ao dia em a minha vontade de poder deu o seu primeiro sinal de existir, acreditei que a vida social era regulada por padrões de uma moralidade inteligente, em que tal como observava no seio família, as leis reguladoras da conduta são formuladas em prol de bem-estar comum. Nunca me passaria pelas ideias que a minha mãe não me deixava comer muito chocolate porque ele o queria quase todo para si. Da mesma forma sempre assumi que o trabalho era o cumprir com uma cota parte no desenvolver das tarefas necessárias ou seja, a mim tocava aspirar o chão da casa e à minha irmã lavar a louça. E tanto a minha irmã vivia num chão limpo como eu comia em louça lavada. Foi grande a perplexidade quando descobri, que afinal em democracia, o chão que eu limpo não pode ser utilizado nem por mim nem por ela e que a ambos está interdita a louça que ela lava. Afinal, o que estado democrático quer é que eu aspire o chão que ele pisa e que a minha irmã lave a louça que ele suja. Explicam: tu podes escolher quem te governa. Mas logo me desiludi ao descobrir que não podia escolher a minha mãe. Em democracia só está a votos um portefólio de madrastas de Cinderela. Acho que posso escolher a cor com que elas se vestem. Explicam: Tens o direito de falar, de dizer aquilo que pensas estar errado. Mas quando chego ao local dos protestos, a multidão aos gritos é de tal forma densa e numerosa que se torna impossível entender ou mesmo ouvir o que quer que seja. E o pior, é que quando me afastava do local, descubro que por detrás deste cenário estão todas as madrastas vestidas de todas a as cores em alegre confraternização... não posso jurar mas diria que combinavam qual delas iria ficar comigo durante os próximos quatro anos.

Cenas Gagas extraídas dos Livros Apócrifos

Tobias 6.1-4 - "Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse-lhe: Pega-lhe pelas guelras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o começou a palpitar a seus pés."

Tobias 6.5-9 - "Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão"

Tobias 5.15-19 - "E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração."

Fonte: Internet.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Deepak Chopra

 
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Deepak Chopra, (Hindi: दीपक चोपड़ा; 22 de Outubro de 1946) um médico americano nascido na Índia, formado em medicina pela universidade de Nova Deli, é também um autor e professor de Ayurveda, espiritualidade e medicina corpo-mente.

Chopra é especialista em endocrinologia, exerce a profissão desde 1971, onde chefiou a equipe do New England Memorial Hospital. Em 1985, fundou a Associação Americana de Medicina Védica. Em 1993 muda-se para S. Diego e abre o "The Chopra Center For Well Being", onde desenvolve os seus próprios programas e cursos para o desenvolvimento pessoal.
Deepak Chopra é autor de mais de 25 livros de auto-ajuda, traduzidos em 35 línguas, tais como "A Cura Quântica", "As Sete Leis Espirituais do Sucesso", "Criando Saúde", incluíndo cinco programas para a televisão pública dos EUA e proponente de outras idéias místicas. Sua proposta de auto-ajuda é centrada na afirmação "se compreendermos a nossa verdadeira natureza e soubermos viver em harmonia com as leis naturais, a sensação de bem-estar, de entusiasmo pela vida e a abundância material surgirão facilmente".
Em 1999, a revista Time incluía-o na sua lista das 100 personalidades do século, chamando-lhe "poeta e profeta das medicinas alternativas".


Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O que é a inteligência? (II)

Boa noite Porfírio.
Agradeço sinceramente a atenção que me presta e tenho em muito boa conta as suas opiniões cuja competencia está amplamente demonstrada no seu excelente blog. No entanto, penso que não abordou a questão nuclear daquilo que tento sugerir. Estou de acordo, como não podia deixar de estar pois é uma evidencia empirica, que o sistema nervoso onde se pode incluir também o cerebro enquadrado nesta prespectiva, tem em si mesmo mecanismos completamente autonomos que agem independentemente da vontade. Sem duvida que a genética e mesmo a parte acertiva que contêm as teorias evolutivas respondem de forma satisfatória a esta questão. No entanto posso afirmar sem receio de ser desmentido que o Homem, detem em si propriedades cuja natureza vai muito para além destes sistemas biológicos e já agora aproveito a oportunidade para abrir um parentiis para referir a extraordinária comptencia que a natureza demonstra e cuja organização estrutural indica que estamos perante um produto de uma acção necessariamente inteligente e que independe por completo da Humana. Mas isto são contas de outro rosário. :o)
É também sabido, e remeto de novo para as sugestões de António Damásio, que a hipotese do sistema nervoso no seu conjunto ser e socorrendo-nos de novo da genetica e dos pontos de vista evolutivos, fruto de um encadear de respostas a novas necessidades que o Homem foi adequirindo, um conjunto de "unidades"  de onde se podem identificar os seus constituintes "históricos" a que correspondem a um determinado estado evolutivo, tem sido confirmada de forma empirica pelos resultados dos estudos que são levados a cabo.
E assim, de novo chegamos ao mesmo labirinto em que me encontro, que acima descrevi. Se não pretender-mos utilizar a palavra "inteligencia" passamos a chamar-lhe "coisa". :0)
A imagem é simples e vou renomeala. Estamos num laboratorio e induzimos reacções neurológicas que provocam uma emoção que desencadeia em tristeza. O individuo fica triste porque o indutor o "obriga" a esse estado de espirito. Pergunto: quando desligamos o mecanismo indutor, quel é a "coisa" que irá induzir do ponto de vista sináptico o cerebro, uma vez que o individuo para sentir tristeza não tem de estar ligado a nenhuma máquina? Penso que não existe nesta questão forma de colocar o rabo da pescada na boca :0D

O que é a inteligência?

Boa tarde Porfírio, boa tarde Ana Paula.
Interessante tema em conversa. Peço desculpa mas não resisti ao impulso de falar. Pretendia se assim considerar interessante, introduzir a variável "marcadores somáticos". António Damásio propõe que o cérebro humano disporá de mecanismos que permitem que o processo de decisão seja optimizado, para que uns conjuntos de variáveis muito para além do exequível não sejam tidos em conta no processo de decisão, evitando assim o colapso da acção tanto no que se refere à qualidade como ao tempo útil em que esta deve ser tomada.
O que não me parece óbvio é a justificação sugerida acerca da proveniência genética desse potencial inteligente.
Em termos experimentais, a neurobiologia utiliza indutores que provocam respostas sinápticas num indivíduo, ou seja e por exemplo, a emoção pode ser provocada por impulsos controlados por um investigador. No entanto isso parece demonstrar, não só a evidência da natureza biológica dos sentimentos, mas também e isto não é tido em conta pelo que me tem sido dado a observar, a indispensável intervenção de um agente indutor que é responsável pelo desencadear dos processos causais que originam um mapa cerebral a que corresponde um universo mental.
Assim, qual é a coisa, que continua a induzir o cérebro quando o indutor experimental é desligado? Não existe pois a necessidade da existência de um agente que potencia a concretização do real e não terá esse agente de existir para aquém da mente? Se assim fosse, de que forma seria possível às instruções do DNA conterem informações acerca dele?
Não será legitimo suspeitar, atribuindo à palavra inteligência o papel de agente indutor da realidade mental do indivíduo, que a inteligência é a responsável que induz a decisão, a vontade, e por isso a própria vida? Não será ela também a sua utilizadora e a sua administradora?  Etc…

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Acerca do Poder

A questão que evoco é acerca da forma como o poder é exercido e da relação que existe entre o seu método e aquilo que define uma autoridade.

Ser autoridade, pode ser uma autopromoção desqualificada em nome do poder, mas nada disso lhe adianta quando quem exerce um dever não o leva a cabo através da vontade de o fazer.

Assim, se quiseres utilizar a palavra “autoridade” para descrever o conjunto dos meios através do qual o poder é exercido, eu digo que existem inúmeras formas de exercer a autoridade.

Quando esta é exercida tendo no poder a única formula resolutiva estamos na presença de um universo mental cujo princípio inteligente é obviamente pouco dotado, pois os seus resultados são mínimos e ineficazes quando ao seu objecto, para além de potencialmente serem insustentáveis através do tempo.

Quando um princípio inteligente entende que aquilo que determina acção não é a sua vontade própria mas sim a forma como ela é exercida para o consumar do objectivo determinado, facilmente verifica que o exercício do poder é apenas um recurso que servirá para corrigir os actos falhados da sua autoridade, denominando aqui autoridade aquilo que advém da legitimidade do exercício da liderança ser uma consequência daquilo que define o seu princípio inteligente que naturalmente transforma o dever de fazer em vontade de fazer, ou seja transforma a opressão em liberdade.

Assim, e explicando de que forma esta matéria está enquadrada com o exercício da liderança, o universo mental que a constitui, está dependente da característica do principio inteligente que o gere, ou seja, a caracterização da vida que se gera á sua volta e do qual ele é responsável depende da competência que tem ou não a sua inteligência.

Assim, enquanto o poder pode ser adquirido, a autoridade é uma qualificação conquistada.

Um óptimo exemplo que define um local onde a autoridade terá de ser exercida com um diminuto exercício de poder, é quando o dever é exercido de forma voluntaria.

A autoridade moral é aquela que advém da superioridade moral cuja acção está independente do exercício do poder, ou seja, decorre através da vontade, ou seja daquilo que falo aqui.

O amor é aquilo que o amor é ou aquilo que o amor faz?

Eu vejo a vontade como sendo o princípio da escolha do comportamento. É através da vontade que escolhemos amar.

É a vontade que suporta o amor. O amor é um comportamento inteligente, um exemplo que determina um modelo de autoridade e liderança, que é sinónimo da identificação e satisfação das necessidades dos outros em prol de bem comum.

Diz Vince Lombardi que o sentimento de “gostar ou não de alguém” não é tido em conta no exercício do amor. O amor é lealdade, é o respeito pela dignidade e individualidade.

Julgo que quando Jesus aconselha a amar os inimigos, refere-se à acção e não ao sentimento. O amor é geralmente confundido com sentimentos positivos dedicados a alguém, seja em forma de forte afeição, ligação amigável ou sentimentos provenientes dos impulsos sexuais.

No entanto rata-se de uma acção inteligente, ou seja, uma acção que se eleva acima do universo mental e por isso se situa aquém e além da emoção que gera o sentimento.

Diz James C. Hunter que muito daquilo que é o novo testamento foi escrito em grego, que utiliza várias palavras para descrever vários significados de amor. “Eros” quando se refere ao amor baseado na atracção sexual e desejo ardente, “Storgé” quando se refere ao amor afectivo entre familiares, “Philo” que é fraternidade, ou amor recíproco onde a acção amorosa exige um pagamento levado a cabo na mesma moeda e finalmente “ Ágape” que descreve o amor incondicional, demonstrado em acções comportamentais para com os semelhantes sem que nada seja exigido em troca, uma escolha deliberada.

O amor que está escrito no novo testamento proferido pela boca de Jesus está denominado de “Ágape”.

O amor “ágape” não é aquilo que os sentimentos traduzem internamente mas sim aquilo que ele mesmo faz sob a forma de vontade, ou seja, sob a forma da acção inteligente. 

O Cinema de “Autor” ou O Burro de Zaratustra

-“Mãe: quando for grande, quero ser um grande artista!” – afirma o petiz.
-“ Ò filho, deus te dê um futuro melhor.” – Responde a mãe.
-“Mas eu quero mãe, eu quero...”;
-“ Então, nesse caso, o melhor é ires para a academia aprender a fazer alguma coisa, filho, a ver se te fazes gente.”

Após entrar para a escola, inicia-se para a criança um processo que lhe ocupará o resto da vida. A aprendizagem, o conhecimento de tudo o que já foi feito, o perceber de como foi feito, o obter da informação que lhe permita saber como se faz. Durante este percurso, estará sempre condicionada pela sua própria capacidade de apreensão, pela sua memória, pelo que pensam os seus “mestres” acerca da vida e dos conceitos que têm, valores que lhe serão impostos e ditos na generalidade como verdade absoluta. Surgem desde logo os horários, os trabalhos de casa, a competição com os demais na procura de saber, quem de todos eles é o melhor, ou então, o mais “desadaptado”. Surge a angústia daqueles, que “realmente” não possuem as virtudes dos “predestinados” – “ O seu filho não tem ouvido para a música. O melhor é tentar pôr o menino na pintura. Olhe; eu até tenho uma prima que é a directora de uma escola muito boa e perto de sua casa!”

O que na mais das vezes se verifica, é que, os meninos de voz doce, desistem da ideia de serem “cantores”, porque tudo isto é muito mais difícil do que parece. Apesar de gostarem de cantar, apesar de saberem cantar afinado, para se “poder” “cantar” é surpreendentemente necessário saber toda uma panóplia de conhecimentos culturais, sem os quais lhe fica interdita a vocação. Os que conseguem sobreviver a esta “guerra” são os mais bem preparados. Os que são mais “inteligentes”, os que têm maior capacidade de aprendizagem, os que com mais paciência e atenção ouvem os ensinamentos dos “mestres”, não faltam á escola, concordam com o que lhes dizem, não colocam grandes questões, têm dinheiro para se formar. Mesmo nas academias de arte “contemporânea”, as coisas funcionam da mesma forma. Seja qual forem os motivos, o conjunto de valores que regem e caracterizam a sua tendência, vão impor ao aluno uma forma de pensar e agir, submetida aos “valores superiores á vida”, em vigor nessa sociedade escolar. Uns conservam as tendências clássicas da academia, outros aprendem que o artista é aquele que rompe com o passado, outros assumem uma das novas tendências pós-modernas. Todos eles têm uma característica comum: falam de uma forma comprometida, todos são subordinados, escravizados ao que pensam, vergados pela força da sua própria razão e têm medo. Medo de não serem reconhecidos, não serem aceites por uma sociedade cultural, em que todos se vêm presos a uma teia de interesses materiais, extremamente pegajosa, porque sentem que o “desemprego artístico” do homem de coragem, é um desfecho mais do que comum. A história está carregada de grandes heróis mortos pela miséria e a fome, ou então, bêbados, formula tão comum, que é fácil encontrar nas pessoas a opinião de que os “artistas” são mas é uns malandros, que querem viver á custa dos impostos que o “povo do trabalho” paga. “Mas então ando eu aqui a trabalhar para depois vir aquele gajo dar baile e dizer que fez em filme da branca de neve e não filmou nada? Se não devolver o nosso dinheiro, cadeia com ele.” É a isto que se sujeita o assalariado do povo. No cinema, porque se trata de uma manifestação cultural extremamente cara e de poucas garantias comerciais, não tem restado outra alternativa aos “artistas”, que não seja a submissão às mãos do governo, ou mais recentemente, ao poder dos multimédia, ou às fórmulas de sucesso do “cinema comercial”, que oferece ao povo aquilo que ele quer e exige ver, portanto um tipo de autoria em que a autor está perfeitamente dominado, manietado.
A autoria resultante deste tipo de enquadramento, tem que ser sempre submetida a regras e valores perfeitamente determinados e estabelecidos. É perfeitamente natural, que o “investidor” queira ter todas as garantias que o seu dinheiro seja empregue em algo de útil, portanto num objecto que tenha uma finalidade bem determinada e específica. As “ferramentas” disponíveis que são permitidas ao autor utilizar, são a sua própria cultura, a sua capacidade racional, adaptando os andamentos á música que ouve no seu posto de trabalho. Só os mais bem preparados vingam nesta selecção natural. Há que reconhecer grandes méritos a quem, porque pode ser qualquer um, consegue atingir com êxito esta finalidade. Os mesmos méritos têm os políticos que ganham as eleições, os comerciantes que detêm as maiores fatias do mercado, os industriais que fabricam os melhores produtos, as pessoas que têm empregos superiormente remunerados. Todos eles têm uma característica comum: são extremamente bem adaptados a um sistema que servem, porque serve os seus desejos da fama, da fortuna, do reconhecimento, na mais das vezes aceite pela imposição da força de quem pode, porque detém o poder do dinheiro e do lóbi. Assim, a criança, aprende sempre a mesma coisa. Seja uma escola de “arte”, seja uma escola de vida.

Estou a chorar. Sinto-me triste, angustiado, ansioso. Ao fundo das escadas, pela fresta da porta em frente, consigo ver o meu piano. Pouso as mãos nas teclas, e começo a ouvir os sons das cordas percutidas por martelos. As suas vibrações entraram pelas pontas dos meus dedos directas ao meu peito. Soa uma, depois duas, depois três notas soltas. Canto uma canção qualquer, envolta por frases sem sentido. Passam uma, duas horas. “Anda jantar!” – gritam. E vou. Como com apetite, converso com todos, rio com prazer das caras que os meus filhos fazem ao comer a pescada cozida que detestam. Sinto-me bem muito bem. Independentemente dos motivos da razão, eu amo o caos, a contradição, gosto de me deixar levar pelo instinto, pela intuição. Adoro fazer coisas sem sentido, amo tudo o que me apetece amar, sem a razão em mim.

Autoria cultural, autoria não cultural. O autor comprometido, é aquele que cria com a razão. O autor descomprometido, é aquele que cria de forma leve, intuitiva, instintiva. A razão serve o sistema. O instinto cria novos sistemas. A cultura alimenta o sistema. A intuição mata-o á fome.

Quero reservar o direito á contradição. É uma forma menos doentia e redutora de viver. Não é que não se entendam os motivos da razão, os da cultura, e a sua grande utilidade para a organização do complexo mundo em que vivemos. Só não se admite, que a razão castre as vozes das almas, não lhe permitindo o direito á vida. Tenho para mim, que tudo isto é muito pouco filosófico e tem um só responsável: o mercantilismo. Todos estamos dependentes de uma rentabilidade mensal que nos permita viver de forma digna. Acontece, que as obras de autor, aquelas que são criadas de forma monologante, tendo portanto, única e exclusivamente presentes, a unicidade de características que definem uma única entidade, não têm utilidade social, portanto não são passíveis de gerar riqueza, visto que realmente não servem para nada, porque são banais. A vontade de posse, para fazer um indivíduo pagar por uma obra, passa por reconhecer a sua aura, ou, lhe possa de alguma forma, ser útil a si próprio . Que aura ou utilidade, pode ter um objecto que pela forma que é criado, pode ser materializado por qualquer um? – “Assim também eu sou capaz.” Durante o século XX, fruto da ruptura da arte académica de finais do século IX, surgiram variados tipos de propostas estéticas. Só que este processo, é paralelo ao processo Nietzscheano no que se refere á morte de Deus. O homem matou Deus, mas ao reconhecer-se como o seu assassino, tratou de o substituir na responsabilidade de carregar os fardos dos novos valores, entretanto estabelecidos. Nada mudou. O niilismo característico de uma sociedade envolta de interesses, só a custo muda de forma, e continua presente, a alastrar por todo o lado, tal cancro social. Da mesma forma, o homem matou a academia, mas substituiu-a pela retórica, na defesa de novos valores, suportados em novas definições de arte, em novas regras teóricas, em novos processos de legitimação artística, só ao alcance de quem detém o controle do poder. Continuamos vergados á força da cultura, á força da razão. As coisas tornaram-se ainda mais complicadas, pois agora nem o naturalmente virtuoso, nem o bom artesão ou o hábil instrumentista, serão reconhecidos, sem que a sua afirmação estética, seja aceite por quem detém o poder. Assim vemos por todo o lado, surgirem objectos de características marcadamente culturais, com o seu criador vergado ao peso da razão e do mercantilismo.

No entanto, por motivos da razão, vemos ser por completo impossível, que as coisas deixem de ser assim. É evidente que o direito que nós temos, porque vivemos em sociedade, de poder escolher só aquilo que nos interessa, é perfeitamente legítimo. A razão é uma característica do homem, como o são a intuição e o instinto. Obviamente que o trabalho custa a todos, e todos estamos obrigados a cumpri-lo. É preferível a um artista, o do domínio da alma, subtrair algum do tempo a que tem direito, para se dedicar a fazer algo de útil. Ou se cultiva, e passa de uma forma consciente, a elaborar obra cultural, ou vai ter que se dedicar a outra coisa qualquer. A menos que seja um Homem de grande coragem, um Homem verdadeiramente do domínio da arte.

Para além dos criativos, há quem se sinta bem, a interpretar, a avaliar, a estudar o trabalho dos outros, e há quem tenha escolhido o mercado da “arte” para investir as suas poupanças, seja na aquisição de objectos, seja na concretização de projectos caros, como o cinema é exemplo. Enquanto os primeiros legitimam as modas, as correntes, ditam as leis do mercado, os segundos, tornam viáveis os processos. Como todos são interdependentes, para que tudo corra conforme o previsto, o que se observa, é que no seu conjunto formam a verdadeira força selectiva, que legitima e destrói a vontade de poder dos pobres dos “artistas”. São os donos da bola. No entanto, eles próprios carregam o fardo dos valores em curso. São também submissos. Uns porque querem continuar agarrados ao poder, outros porque estão dependentes de uma estratégia económico-financeira rigidamente delineada. Cada um de nós carrega o próprio fardo da vida. Aqui também não é possível ser artista. Quem entre os críticos tem a coragem de assumir uma postura, em que a multiplicidade de pontos de vista ocorra? – Nenhum. Esta postura implica o abolir dos princípios, que suportam toda a coerência da sua razão. Assim, o que se verifica, é que cada um dos críticos se dedica a tomar partido, o que melhor lhe convir, tendo em conta a rede de conhecimentos e influencias em que está inserido, não hesitando em reagir de forma completamente destrutiva, a tudo aquilo que por um ou outro motivo, sai fora do seu alvo de interesses.

Os teóricos, transportam a responsabilidade cultural. Deste grupo, também fazem também parte e coabitam, os professores, sendo que um teórico pode ou não dar aulas, e que o professor pode ser também um teórico. É curioso notar que é comum, um teórico ou um professor, serem eles próprios autores. Os críticos é que não se atrevem a tal. Estão sempre muito mais próximos do público consumidor, do que dos autores e “artistas”. Entre o público, estão muitos indivíduos que secretamente criam as suas próprias obras. É aqui que se encontram artistas genuinamente do domínio da alma. Não estão comprometidos, a sua atitude é desinteressada, estão-se nas tintas para todos os demais, criam conforme querem, e não têm medo de ninguém, porque não têm que ter. Entramos no mundo da autoria não cultural. Ao contrário do homem da cultura, que tem que abrir uma gaveta para a guardar, é aqui, no meio do povo, que é possível encontrar as manifestações mais características de arte instintiva, intuitiva, a do domínio da alma. São as tais obras que realmente não servem para nada. São de tal forma desinteressadas, que são quase sempre destruídas, após a sua elaboração.
Autoria cultural, autoria não cultural. Não se trata de quantificar méritos, nem valorizar a alma em detrimento do corpo. Trata-se isso sim, de observar a realidade que pressinto á minha volta.

No cinema, as coisas complicam-se e muito quando fala-mos no cinema de autor. Há quem afirme mesmo a sua inexistência. E por múltiplos motivos, a começar pela forma que é materializado, desde a intervenção activa, e marcante, de múltiplos intervenientes que impedem, pela lógica da razão, de se descortinar um autor único, dentro da globalidade da obra. Ela é multidisciplinar, como atestam, a catrafilada de Óscares que é necessário distribuir, sempre que se atribuem distinções aos autores. Para além disso, se definirmos como cinema de autor, como sendo as marcas pessoais que cada realizador deixa na sua obra, torna-se difícil encontrar cinema que não seja de autor. Claro está, que sempre podemos delimitar uma qualquer área, e daí falarmos em cinema de autor, e está o problema resolvido. No entanto, está questão ganha sentido, se comparar as várias posturas que os realizadores podem assumir, no decurso das suas carreiras artísticas. Talvez seja possível dividir no cinema três grandes grupos: “o cinema comercial”, as “correntes cinematográficas” e o que decidi-mos definir como “cinema de autor”.

No cinema comercial, está em primeira linha, o interesse pelo público espectador. Há uma serie de pormenores que são tidos em conta, ainda antes da decisão do conteúdo, tanto narrativo como morfológico, de um guião. Temos a decisão do público-alvo, após a qual, observam-se o máximo de características dessa massa humana, tanto ao nível social, como político, modas, gosto, hábitos, costumes, tradições, enfim... Quanto maior a informação recolhida, menor será o risco de um fracasso económico, visto que o conteúdo da mensagem poderá ser entendida por muitos. Esta é uma postura dialogante, pelo que é necessário falar uma linguagem, o mais universal possível. A elaboração do guião, obedecerá a uma série de pressupostos teóricos, normalmente já anteriormente testados, ingredientes de uma receita de sucesso. A produção, assegura uma gestão de recursos e meios optimizados, ao nível do escrupuloso cuidado, na observação da dualidade investimento/retorno. Na rodagem e na montagem serão cumpridas a preceito, todas as performances bem ao gosto do público. Entre os actores, há sempre uma ou duas estrelas. Os média darão a maior cobertura possível. Na maior parte dos casos, no processo de decisão, o realizador tem um campo predefinido de acção, que não pode ultrapassar, devendo cumprir a tarefa, para a qual é pago pelo “investidor”. Trata-se sem sombra de dúvida, de um óptimo exemplo da utilização da razão e da cultura, na elaboração de objectos artísticos. Em todas as artes, estão presentes objectos, concebidos utilizando este tipo de construção. O entretenimento que produzem, legitima a sua acção como útil. Tem uma finalidade tão específica e definida, como tem um objecto qualquer. E não é menos útil; antes pelo contrário.

As correntes cinematográficas, surgem frequentemente, de uma rotura com as técnicas tradicionais do cinema, ruptura que invariavelmente, é legitimada por um discurso estético que defende os novos valores, as novas imposições. Todos aqueles que virem nesta mudança, uma oportunidade de afirmação, adoptam os seus valores, e passam numa repetetividade curiosa, a “criar” um sem número de novos filmes, que coerentemente cumprem, todos os valores assumidos. Curioso é observar, que a rebeldia demonstrada pelo mentor, o autor desse processo, tem como consequência a submissão, dos seguidores que vão estabelecer a corrente. Curiosos... são autores completamente diferentes. Os mentores criam, diria Nietzsche, os que tiveram a coragem de pousar alguns dos fardos que transportam. Os seguidores são outro tipo de artista, que preferem continuar a carregar. É o eterno retorno. A acção dos críticos e dos teóricos na legitimação das correntes, assim como a sua divulgação, pelos meios audiovisuais, e de multimédia, garantirá a aprendizagem por parte do público, destas novas linguagens.

A Formula de Deus - José Rodrigues dos Santos


"A Fórmula de Deus" é o quarto romance de José Rodrigues dos Santos, publicado em 2006 e editado pela Gradiva.
É o segundo livro da série Tomás Noronha, precedido por O Codex 632 e seguido por O Sétimo Selo.
Um dos principais temas abordados pelo livro é a prova científica da existência de Deus, a partir de uma fórmula de Einstein, grande parte da obra passa-se no Irão (Teerão), Tibete e Portugal, onde o personagem principal sofre grandes desventuras.

Contratado para decifrar um manuscrito de Einstein só agora descoberto, Tomás Noronha, professor universitário, envolve-se num jogo duplo entre o Ministério da Ciência Iraniano e a CIA, procurando desvendar a prova científica da existência de Deus, descoberta por Einstein, embora o Irão e os EUA julguem que o documento do cientista expõe a fórmula para fabricar facilmente uma bomba nuclear.
Com a ajuda de Ariana Pakravan, por quem se apaixona, ele tenta sair ileso de mais uma aventura. Enquanto o seu pai tem os dias contados devido a um cancro do pulmão, Tomás tem de escapar às perseguições dos iranianos, após os ter traído para ajudar a CIA. É Ariana quem o ajuda, acabando por se deixar levar pelos seus sentimentos relativamente ao português.
Após uma viagem que vai desde o Irão ao Tibete, e ainda em Portugal, eles conseguem provar, precisamente no dia do funeral do pai de Tomás, que o documento de Einstein não contém a fórmula para o fabrico para um bomba nuclear, mas sim uma tese científica relativa à existência de Deus.

Fonte: Wikipédia

domingo, 16 de maio de 2010

Imortalidade

Olá Elsa.

Do ponto de vista da crença religiosa, eu sou agnóstico na linha de Kant. Isto significa que apesar de entender Deus como sendo inevitavelmente necessário, não creio que o Homem tenha possibilidades de o experimentar. Neste link está editado um texto que justifica um pouco mais esta minha posição actual.
No entanto, como não sou adepto da "religião Darwinista" admito a possibilidade do processo evolutivo ser fruto da evolução do principio inteligente, o que não passa de uma hipótese especulativa ainda que reforçada pelo facto de que, aquilo que defino como inteligência, ou seja, o potencial da capacidade de utilização e gestão dos recursos mentais, ou seja, aquilo que em ultima analise é determinante para a elaboração de uma identidade que é única e que define um ser,não está inscrita no DNA, como tal, impossível de estar contida em qualquer justificação evolucionista ao nível das explicações genéticas. De momento fico por aqui, teria muito a partilhar contigo nesta troca de ideias, mas fico muito interessado em "escutar a tua opinião.

Experiências Quase Morte

As EQM (Experiencias Quase Morte) são provavelmente uma forma da actividade mental que surge em circunstâncias biológicas específicas e anormais e que proporcionam um padrão de consciência descrito de forma análoga por múltiplos testemunhos.

São perfeitamente possíveis de serem explicadas como um efeito cuja causa é determinada por um determinado padrão cerebral que vai proporcionar o universo mental que lhe corresponde.

A morte por definição, é um processo irreversível e assim sendo, as EQM são do domínio da vida, ou seja, como estar quase morto não é estar morto estas fazem parte integrante da experiencia mental que a vida é, não parecendo pois passíveis de serem utilizadas como provas da imortalidade da alma.

sábado, 15 de maio de 2010

Neo-Religião

Remetendo para a vontade de conhecer de cada um dos leitores deste texto, vou atalhar caminho e afirmar que fruto dos estudos levados a cabo nos últimos anos, a neurobiologia está muito perto de concluir que o corpo humano possui em si mesmo todos os atributos (mesmo aqueles que foram durante anos considerados extra corporais ou atributos da alma) que constituem o ser, ou seja, esta assombrosa máquina da vida é una. Para além de potenciar emoções e sentimentos, também potencia a mente, a razão e a consciência de si.

Não adianta tentar negar uma realidade cada vez mais evidente. Parece ser muito mais produtivo e racional para quem estuda a alma, não voltar as costas ao saber que diz respeito aquilo que é a identidade desse próprio processo, ou seja, a vida e a forma como esta se manifesta.

Ao confundir o princípio inteligente individualizado com mente e consciência de si e ao conceder-lhe atributos que não são devidos, como são os casos da emoção e dos sentimentos, entramos num labirinto de equívocos e inverdades que são olhados e com motivo com uma descrença e indiferença crescentes.

Este tipo de atitude, que volta as costas ao exercício pleno das nossas capacidades enquanto Homens, preferindo a isso a crença em que cada um dos teólogos é um eleito a quem vai ser revelado o caminho da salvação, leva a religiosidade para as áreas do misticismo esotérico e não para o caminho da verdade.

O religioso deve ser um Homem da ciência da vida, um Homem que acredita que deve utilizar todas as infinitas potencialidades do seu corpo para evoluir em todos os sentidos do conhecimento e do saber, a começar por aquilo cujos atributos lhe são cognoscíveis para assim poder de uma forma competente especular e avaliar Deus, a liberdade e a imortalidade.